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Com Certeza, Talvez

O surto da existência emblemática Inatividade temporal Fluxo de conveniência sistemática Em gravidade anormal Complexo de seu talvez certeza Completo de forças e fraquezas Tão humano quanto os outros Um ódio por vícios Tão santo quanto os monstros Um ódio por ciclos A alma e o corpo, o espírito e a explosão Sua cabeça nas nuvens, seus pés no chão

São Todos Ninguém

A efetividade do inferno Elevação de fúrias Brutalidade em decreto Delegação, injúria O ódio canalizado Em regressão inevitável Nódulo catalizado E agressão incalculável Socos na parede De meu próprio estômago O cinza e o verde Em escuridão, relâmpago Tudo se torna questão Nas amarras sentidas em minha garganta O grão e a imensidão Que se faz muito pouco para muita ânsia As fumaças estão saindo do nariz Do dragão em silêncio Garras que se transformam em raiz Baixos ruídos ao vento A fera está trancada Mas deseja guerra Na espera enjaulada Treme sua Terra São terremotos em seus olhares Nos mares, nos lares, nos pares

Rádio Nós

Se chegar na praça com um violão Você se torna um cara bonito Ainda mais se souber tocar Legião Cazuza, Barão ou os Beatles Improvisando e rimando em poesias vivas Se tocar Djavan tu é um cara foda Pode fazer da sociedade, mais alternativa E se tocar Raul atrai as outra rodas Bem, vamos de Jorge ou vamos de Tim Nós vamos chamar o sindico Parei um pouco, traga a cerveja pra mim E nosso sorriso fica mais rico E se estiver alguém completando idade Vamos de Ira, envelhecemos na cidade

Expresso de Horizonte

Peguei todas as minhas músicas antigas E vi o tanto, o quanto eu evoluí Mas de fato que senti tamanha nostalgia E lembrei de como cheguei aqui Peguei as minhas fotos antigas E bem aquelas que eu não mostraria pra ninguém Lembrei de sorrisos e de brigas Primeiras pedaladas e até o amor de certo alguém Me peguei olhando para o horizonte Só violão, sem voz Me peguei procurando alguma ponte Sem ligação, só nós Onde que quer que meu passado esteja Ele merece um brinde Mesmo que de vinho barato ou cerveja Merece o meu brinde Meus fantasmas me trazem um brilho no olhar Em lagrimas de felicidades, saudades e sonhar

Súbitos Subtraidores

Natural do homem que não soma Ter mais um coma Não compreende o mesmo idioma Perfume sem aroma Então jogue-se E julgue-se Não afogue-se Ou fuga-se Há pessoas que evoluem Dentro do bem ou até do mal E há pessoas que no nada São completamente o sem sal Falo aos súbitos subtraidores E em surtos dos sub-traidores

A Carta Suicida

Não precisa um golaço Para correr pro abraço Basta um pequeno laço Pra superar o fracasso Na mão que te ajuda a levantar Ou até num ombro amigo Escudo e espada para batalhar Enfrentar qualquer perigo Às vezes nem precisa imaginar Para desenhar É só começar, observar e deixar O lápis te guiar Ouvir as poesias que chegam junto com o vento As canções dentro de sorrisos e lamentos Sentir perfume em fotografias de outros tempos Templos que existem em cada momento A carta se enforcou no quarto E escreveu a sua mensagem num homem O horizonte se esforçou no parto Inspirou uma pintura ao quadro do homem

Frege

Repaginando Talvez mudando a cara da capa Replanejando Corta, rapa e apara, só não para Não repara na bagunça Não mexo em nada desde segunda Não repara na bagunça Que eu tenho nessa mente confusa Eu não organizo em ordem alfabética Ao que vemos ou sabemos Nem poética ou tão pouco doméstica Está uma bagunça mesmo Desculpa o som alto Ou pelas vias de fato