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Mostrando postagens de 2019

Quarto Escuro

Calado, mas totalmente focado em nada
O olhar distante e completamente perdido
E eu nem queria sair da cama, da coberta
Virei pro lado algumas vezes já desiludido

Mas foi de bruços que eu encontrei o torcicolo
E minha mente estava tão cheia que não me deixava descansar
Procurei o que fazer e não tinha, era monótono
Mas é claro, às três da madrugada talvez seja a hora de sonhar

Então apaguei as luzes à espera da melatonina
É... mas a busca pela reciprocidade não desaparecia
Os olhos abriam mais no escuro, era melancolia
Talvez eu espere demais de quem nem é companhia

Mas não desisto e quando desistem, eu fico aqui
Remoendo, revendo passos, relendo mensagens e revirando gavetas
Procurando saber onde errei, o que fiz e não fiz
É meio que vazio, uma lacuna insuportável e totalmente turbulenta

Abraço os joelhos e me encolho
Me recolho em preces para que o sono venha
A cama gira como um Universo
Cheio de grades e algemas... Sem almas, apenas um quarto escuro!

Simples aconchego

Era tão simples andar
Era tão simples sorrir
Era tão simples lutar
Era tão simples seguir

Em meio a tanta simplicidade
Eu encontrei a turbulência
Chuvas, cortes, dificuldades
E a mais forte seca

Em meio a tanta intensidade
Eu procurei minha resistência
Ao longe, as luzes da cidade
Num quadro sem estrelas

Em meio a tanta felicidade
Eu resetei minha carência
Somei defeitos e qualidades
Perdi a paciência

E em meio a tanto nada
Era tão simples tudo
Em meio a tantas palavras
Eu me fiz de surdo

E quanto mais o tempo passa, eu acolho a certeza
E quanto mais a carne falha, eu hospedo toda clareza
E quanto mais o ar me falta, fica claro a correnteza
Enquanto a melancolia cala, eu superestimo toda frieza

(...)
Eu sou a simples saída de quem não quer mais estar aqui
De quem não quem mais sofrer, não quer mais sentir (...)

Não quer mais sentir!

Espertino cansaço, vespertino embaraço

Aos poucos vamos dando adeus a nossa essência
Vamos deixando de lado a inocência
Onde a convivência com o Universo traz carência
No que adquirimos com a experiência

Seres de ansiedade e pouca paciência
Um convívio distante, mas tão próximo em abstinência
Que para viver precisam de resistência
E para acreditar não precisam comprovação ou ciência

Criam o bom e o mau com veemência
E tratam como tratariam anjos e demônios em demência
Se abastecem de repúdios e preferências
Isso com a mera aparência, raramente com a convivência

Reles mortais em decadência
Não percebem o tempo se esgotando em obediência
E todo adeus não teve suficiência
O seu Deus não perdoará sua petulância e insolência

Os trovões de uma chuva em providência
Alagam as ruas em lágrimas cheias de consistência
Mas a Terra se acalma em breve sonolência
Nada do que você fez valeu a pena ter tal excelência

Acorde desse seu pesadelo de frequências
Ou descanse como reverência
E apesar da insônia, prove a sua sapiência
Mas só apr…

Semideuses

Quando agradecer por mais um dia ou por estar vivo?
O eu contra si mesmo é sua derrota em definitivo
Onde está o lado positivo de um pensamento negativo?
Seu sonho contra os pés no chão ao que é relativo

Não faz sentido, eu não quero ser responsável por aquilo que cativo
Sei que para ambos ser objetivo é ser opressivo e às vezes somos isso
Tento ser compreensivo entre o que é substantivo e o que é subjetivo
E tento decodificar, pois nós somos sucessivos e raramente sensitivos

Na evolução dos ciclos que são repetidos
A dor é multiplicada em gritos reprimidos
No quarto interno de espelhos reflexivos
Os nossos quadros que não são revertidos

São raros momentos de felicidade ou os dias divertidos
São raros os que se encontram, são muitos os perdidos

No peso de uma mensagem leve, que leva o destemido
Traz a calma em um tom aparentemente agressivo, mas inofensivo
Todos os erros são corrigidos e todo perdão concebido
Em uma oração, a sua energia que é liberada de modo compassivo

Me faço decid…

Meu anjo, a vida passa num segundo

Já pensou em dizer aos outros tudo o que queria ouvir?
Entre o raso e o alvo, um disfarce de mero razoável
Ou o porque o karma te trouxe o que não queria sentir?
Entre apavorados e bravos, abaixo do zero agradável

E o que é pior, você já teve essa sabedoria antes
Talvez na inocência do medo, desbravar o desconhecido
E se a mera coragem tenha te tornado arrogante
Talvez na irreverência, o segredo do sarcasmo oferecido

Tudo o que vai, volta ou é anulado
Mas o golpe que você deseja devolver precisa ser sacramentado
E assim cicatrizado ou até enterrado
Pois sei que é difícil não devolver quando vem de todos os lados

Vivemos em uma sociedade de solitários
Dos que sorriem para não serem os contrariados
Vivemos em uma empresa de estagiários
Em que está nas redes, a força dos acovardados

Além disso tudo, que já é muito confuso
Vivemos no dilema da demência deveras paixões
Onde damas e cavalheiros só tem escudos
Por razões de vários arrastões, vulgo - Turbilhões

E... O que é merecer ou sofrer …

Dezenove

Não temos um GPS aos nossos sonhos
Não sabemos o melhor caminho pra chegar lá
Não nascemos predestinados ou prontos
Não seguimos um padrão social nem familiar

Somos todos inconstantes e sem regras
Somos uma nova sociedade de ovelhas negras
Somos religiosos sem precisar de capelas
Somos livres de apegos, mas presos à entregas

Quando o silencio chega
Percebemos que não temos controle das coisas
Quando um de nós tenta
Percebemos que dependemos de todas as outras

O imperfeito cotidiano de tudo isso
O vazio é algo que cresce e não pode ser preenchido
O segredo é apenas usar o raciocínio
O manifesto é a frustração e o fascínio pelo domínio

Mas somos partes de um dominó
Prestes a cair e derrubar a próxima peça
Mas somos um silencio sem voz
Cheios de verdades, anseios e promessas

Quem se interessa?
Quem se estressa?
Quem se interpreta?
Quem se expressa?

Envolto de questionamentos, às vezes eu demoro pra dormir
Desenvolvo meus pensamento e normalmente chego a sumir

Inóspitos Morais

O atual mundo dos editados
Tão perfeitos socialmente
Choram em seus quadrados
E nas bolhas, sorridentes

O que realmente é o bom senso?
Quem criou o criador?
Ou quem liga para o que penso?
Se importa se eu supor?

Sinceridade, não vou me impor
Pois odeio as verdades
E sou de essência questionador
Sou por inteiro, metade

Precisamos ouvir as opiniões
E citar as nossas
Precisamos declamar sermões
Ou recitar prosas

Ajoelhar no grão de milho
E disciplinar os cachorros
Bater para educar um filho
Quem é que pede socorro?

A verdade do certo ou errado
Vem de toda sua vivencia
A fúria na moral do revoltado
Faz parte das experiências

Em dias que a mentira chega baseada em fatos reais
Com a velocidade em que notícia voa
Às vezes peço para que os astros me mandem sinais
Pois está difícil acreditar nas pessoas

E nós ainda julgamos, mas também somos julgados
Os laços são amarrados e raramente são conjugados

Entre a Insônia e o Insano

Esquece tudo o que pensou
Esquece tudo o que passou
Esquece o que aconteceu
Esquece e finge que nada sou

Não, não dá pra esquecer
Posso até continuar
Vou seguir e me reerguer
Mesmo a sangrar

Tudo bem eu te entendo
Respeito esse sentimento
Espero apertar a sua mão
E continuar minha oração

Eu fico com minha trindade
Eu, meu anjo e meu demônio
De frente pra minha saudade
Superando esse desconforto

Jogamos os dados e andamos algumas casas
Voltamos outras e qual é a linha de chegada
Será que é morrer e deixar os prêmios
Será que é viver cada um desses momentos?

Às vezes converso a sós
Como se tivesse um nós
Só para deixar minha voz
Entre o calmo e o feroz

Eu fico com minha trindade
Eu, meu anjo e meu demônio
De frente pra minha saudade
Superando esse desconforto

Sobre Sons

Ouço o canto do pássaro
Enjaulado e sem ambição
E se eu quiser libertá-lo
Estarei fazendo em vão

Outros pássaros pousam
Ao lado de sua gaiola
Observam sem entender
Depois vão-se embora

Ouço o som dos carros
Em buzinas a transitar
Mais alguns enjaulados
Com medo de se atrasar

Outros passam por suas janelas
E também não estão livres
Caminho entre prédios e favelas
Coragem do cinza ao grafite

E a minha esperança
É de sermos abduzidos
Levados como crianças
Ao mundo dos sorrisos

Ouço o canto dos pássaros
De alguma cidade distante
De um céu bem estrelado
Imune ao que é incessante

Independente do que aconteceu ontem
Eu sou o que enfrento, sou o meu agora
Sou também indiferente ao que contem
Do que não vem de dentro, vem de fora

O Presente acaba tendo dois significados
Um é o agora e o outro a lembrança
Assim como cada acorde e seu enunciado
Entre um sonho e uma desesperança

O som pode te cegar ou te fazer pensar
Depende muito do que estás a procurar

Semoto

Por fora alguns choram e outros sorriem
E eu, só preciso de um momento aqui dentro
Por fora alguns erguem e outros reprimem
E eu preciso de mim neste instante ao vento

Observar as estrelas como se estivesse num interior
Ouvir o som das coisas que deixamos de apreciar
Cantar com as almas que foram a um plano superior
E dançar com os espíritos que vêm me aconselhar

Por fora alguns demonstram força e outros demonstram fraqueza
E eu, só preciso de um momento para lastrear todos os meus sentimentos
Por fora alguns demonstram auxílio e outros demonstram frieza
E eu, às vezes só quero estar de fora aclimatizando meus temperamentos

É difícil estar sempre bem e como eu sou muito transparente
Esses dias distantes foram porque não consegui estar presente

Aquela

Não sei o que você algum dia viu em mim
Não sei se o que sentimos foi real
Não sei o que tive na cabeça, deixar partir
Não sei, mas sei que teve um final

E hoje, em meio a fumaças leves
Acompanhadas de um bom vinho
Tão confusas na fusão de um jazz
As velhas memórias que vão vindo

Escolhas foram feitas e ainda estou escolhendo
Deve ser a maldição de um libriano
As lições foram dadas, eu continuo aprendendo
E o peito continua desequilibrando

Por mais que a cabeça adore voar
Os pés ainda me seguram e me prendem ao chão
Por mais que pareça doce relembrar
Esse passado não deixa de ser uma mera invenção

E ficar preso a esse pretérito, silencia
Mas o silencio nem sempre é uma boa companhia
E a convivência com a solidão, distancia
Então torno-me detento do devaneio e das fantasias

Às vezes ainda quero voar
Às vezes ainda quero sangrar
Às vezes ainda quero
Às vezes, ainda quero...

Viciei

Algum som pra se aproximar
Alguém só pra se apaixonar
Não trago muito, só te trago bobagem
Viajei...

As modulações de sua voz
O timbre da sua gargalhada
O sorriso bobo e um olhar de paisagem
Viciei...

Viciei, viajei, viciei!

Um Olhar

Um olhar de quem te odeia
Pode ser mais penetrante do que o olhar de quem te ama
Um olhar a quem te rodeia
Nas horas em que o frio toma conta e ninguém te chama

Esfria mais ainda, mas...
Amanheceu e esquece a Utopia
A selva é de concreto e a cidade é cinza
Só não deixe de agradecer, afinal, é mais um dia

Quem somos nós nesse tutorial enigmático?
Deixamos os rastros e pistas para que alguém invista
Ou até aonde vai aquele seu olhar simpático?
Sobre os afazeres, listas e um - Pegue a roupa se vista

Conversas entre um devoto da Santa Paciência
Com um devoto da Santa Ignorância
Conversas entre seu surto cético e sua inocência
Joelhos ralados, pés sujos, elegância

Um olhar de quem te ama
Pode te salvar se você souber deixar
Um olhar ascende a chama
Se você souber deixar queimar, ao ar

Algumas linhas nos conectam
Mas algumas agulhas nos infectam
Algumas cicatrizes se fecham
E algumas rachaduras se internam

Alguns nós ligam todo o desespero e a desesperança
E entre nós ficam donos do tempero…

Último Vagão (parte 2)

Ninguém escolhe o mesmo caminho
Nem sempre há abraços e sorrisos
Você percebe não estar sozinho
Ao domesticar seu próprio Narciso

Somos os nossos próprios mitos
Heróis no próprio quadrinho
Às vezes paro, penso e reflito
Que o preço do poder é perder o juízo

Muito mais que um mero clichê de echarpes e pantufas
A camisa mais velha que você deixa ela usar
Muito mais que um presente bobo de bombons e trufas
Um café na montanha sem histórias pra contar

Chegamos tão longe e não foi por coincidência
Pois nós rezamos tão forte, que foi por paciência

Admiro aquele amigo que não tem medo de voar
Que não tem medo de deixar a maré levar
Amar é saber levar contigo o sentimento do libertar
Do Universo tão interno, o labirinto do sonhar

Somos cria de um criador que também cria a dor pra ensinar

Do último vagão ela partiu sem se que me dar adeus
Foi um olhar, um calafrio, a lacuna de um abraço seu

Somos cria de um criador que também cria a dor pra ensinar

Garças

Não vejo fogo de incêndio, só fumaça
Muitos reclamando da desgraça
Sem ver a graça que recebem de graça
Enquanto eles invejam as farsas

Observam os sorrisos nas praças
E não enxergam a realidade dos próprios parças
Se envolvem nas culturas de massa
Sem perceber que tudo passa e se torna carcaça

Somos todos escudos, elmos e couraças
Que enferrujam, deterioram, estragam e viram traça
Mas a gente sangra, chora e levanta a taça
E onde poucos enxergam a estrada que o outro traça

É que nos levantamos e veementemente mostramos ter raça
Protegemos aquela nossa parte que é de vidraça
E... nos tornando mais fortes do que aquilo que nos ameaça
Defendendo nossa honra e deixando de ser caça

Sem virar caçador, simplesmente livres
Mostrando as asas, somos Garças felizes

O espelho da alma e suas dimensões

O espelho da alma e suas dimensões
Um interno tão externo do tamanho do Universo
O segredo de máscaras, imperfeições
Limites na liberdade, morrer e continuar Eterno

Há prisão e sabedoria em suas memórias
Onde escolhemos continuar, trilhar trajetórias
Há prisão e sabedoria em suas histórias
Onde há derrotas, vitórias, fracassos e glórias

Montanha das aparições
Alameda das falhas
Pântano das lamentações
Castelo de fantasmas

Mil Universos de vagos mundos
Vórtice de objetos perdidos
Tempo-espaço do vácuo profundo
Buraco negro nos sorrisos

Uma escadaria dos réus
O palácio das injustiças
Entre o inferno e o céu
Líderes de suas cobiças

Nós questionamos sobre os reais valores
Precificamos quase tudo
O que está entre o consumo e os amores
É apenas desse segundo

E não nosso...

O espelho da alma e suas dimensões
Onde o inferno se acalma, te priva de razões
O espelho da alma e suas dimensões
Onde o inverno se acaba, esquenta corações

Uma espécie de Deus

Senti a vontade de voltar
Mas não dá para ficar aqui, no pra sempre
Sou do caminhar, do viajar
Não me importo de ir pra trás ou pra frente

Mas me incomodo de não ir e ficar a esmo
Na tragédia que é arte da elite ou na comédia que é a arte da plebe
Pois todos mascaramos ter o que não temos
Somos cordeiros em pele de lobo e somos coiotes em pele de lebre

Só quem nos conhece de verdade é uma espécie de Deus
O seu, o meu e até o do ateu
Só quem nos conhece de verdade é uma espécie de Deus
O judeu, o Romeu, o que sofreu

Senti vontade de voltar
Dar alguns passos para trás para pegar um impulso
Pular como se fosse voar
Ouvir o discurso e não me incomodar com o insulto

Mas se me acomodo, é na poltrona da viagem
Fecho os olhos, ligo os fones e esvazio tudo o que há na mente
Não presto atenção na melodia ou na mensagem
Às vezes olho pela janela, pra paisagem e encosto calmamente

Só quem nos conhece de verdade é uma espécie de Deus
O que prometeu, reergueu e renasceu
Só quem nos conhece de verda…

O Terminal

Reservar o tempo
Ouvir o mar
Se guiar ao vento
Sentir, amar

Viver todas as vidas
Todas intensas e de uma vez só
Chorar as despedidas
Derrubar um castelo de dominó

Reservar o tempo
Sentir a chuva
Correr sem freio
Sumir na curva

Viver todas as vidas
Todas imensas e sem dó
Chorar as despedidas
Gritar até ficar sem voz

Como faz pra ser feliz, vida?
Mais uma vez em um estado Terminal
Vendo todas as idas e vindas
Vinte e quatro horas num saguão oval

As luzes hoje não se apagam mais
Mas é tão escuro não dormir
Onde o silencio não mais traz paz
E é tão barulhento não ouvir

Cabisbaixo, sozinho e distraído
Quantas vezes vencido, quantas outras traído?
O mar seca disfarçado no sorriso
Estufo o peito improviso e finjo ainda ter juízo

Desisti daquela velha ideia de mudar e me mudei
Desamassei o papel de onde saiu, redobrei e voei

O Universo e o Rascunho da Realidade

Como é que você encara tudo que se perde?
Sua luta só é cara quando você se vende
Às vezes é o karma que muitos não entendem
Orações frente à velas que se ascendem

E pra ascender é preciso aprender
Mas vai voltar, vai passar por lá mais algumas vezes
Vai tentar omitir, varrer e esquecer
Vai se calar, se colocar no lugar mais algumas vezes

Contar até dez, fechar os olhos e respirar
Internar, inspirar, tentar meditar, se editar

E se abrimos o peito, é pro coração ficar mais leve
Mas às vezes abrimos em hora errada, de energia carregada
E se abrimos o sorriso, é para emanar o que é livre
Mas às vezes abrimos em hora errada, de energia renunciada

E percebemos estar no mesmo teto e nas mesmas paredes
De quem não pisa num mesmo chão
E percebemos observar o mesmo horizonte, da mesma rede
De quem não recebe a mesma benção

E isso é triste, ao triste e a quem o observa
Sentimentos como cordas de nylon no escuro que não reverbera
Sofrimentos mútuos que a empatia prolifera
Sacramento surdo, cego,…

Quando bate e é insônia

Frases de uma má fase
Por que a gente precisa se lembrar de celebrar?
Catarse de uma má base
Por que a gente tenta disfarçar ao desperdiçar?

Entre o dispensar e o dispersar
No sorrir e no chorar ao descansar
Entre o desenfrear e seu desfear
Repintar, imaginar e deixar deslizar

Mas os traços são necessários
E não apenas imaginários
São técnicas para os cenários
A destreza de um operário

Ainda assim, se a beleza está nos olhos de quem vê
Quais pinturas te penetram ou quais flechas que te acertam?
Ainda assim, se a beleza está na alma de quem sente
Quais são as notas que te tocam e quais vozes te infectam?

Quais ventos arrepiam a sua pele?
E quais são as mãos que te erguem?

Ainda assim frases de uma má fase
Ainda assim que case ou quais crases
Ainda assim desvale ou se descalse
Ainda assim sem timing, sem charme

Ainda assim aqui, bancando o poeta...

Recostura

Há quem se faz acreditar
Que o outro é a causa do mal
Só para não se culpar
E dizer que é pelo ideal

Somos peões entre campeões
Guiados pelo destino formal
Somos cópias de bordões
Reflexões de um comercial

Há quem se faz acreditar
Que defende o tradicional
Só para não se curvar
A ideias vindas na diagonal

Somos peças ao que nos impeça
De continuar na espiral
Somos a linha que se atravessa
Costura do próprio material

Se reconstrua sua escultura
Sua ternura te mensura
São aberturas e fechaduras
São rachaduras e curas

Uma luz abaixo da Lua

Alguém me disse que parecia Jorge Ben
Mas era um menino que tocava em sarau
Alguns diziam - Isso não vai pra frente
Mas ele não ouvia, só ouvia seu coração

Na estrada se perde, se ganha e vai
Já não era um menino no adeus a seu pai
Tinha suas guerras, mas só queria paz
Tem a fé no destino que todo dia se refaz

Se em toda turbulência você morresse
Se em toda escuridão desaparecesse
Se ao olhar as estrelas eu virasse um foguete
Eu te traria vários presentes

O eu mais velho, distópico e Lo-fi

Criogenia no peito
E a mente focada no que se diz respeito ao valor
Eu deixo pra trás o que não me traz paz
Independente do amor

Apagar memórias
É um presente do tempo e às vezes é até um favor
Coloco na frente o que tenho em mente
Limpando toda poeira e bolor

O meu sorriso e meus abraços verdadeiros
São as únicas coisas que peço de volta
Com a mesma sinergia, intensidade e apreço
Preces aos anjos que nos fazem escolta

Eu quero o seu bem
E te quero meu bem

Sei o preço da liberdade e não crio gaiolas
Deixo todas as portas e as janelas abertas aos que vão e voltam
Mas sei que sou cárcere de minhas escolhas
E eu sei que assim que as decisões são tomadas, elas não voltam

Sou o herói e o culpado de meus destinos
E por eles estou chorando, estou sorrindo

Ouvi o concelho de um senhor que dizia
Meu filho, ser você mesmo é tudo o que você pode ser
E ouvi várias histórias naquela noite fria
Viajei e voltei nessas palavras, nada me fazia esquecer

Somos as chuvas, trovões e tempestades que enfren…

Distemporal

Tantas coisas eu deixei pra trás
Tantas que não vou voltar a ver
Tantas que eu nem quero mais
E tantas eu tentei esquecer

Os bares que já foram um abrigo
Aos pares e seus belos sorrisos
Nossos lugares, aos pés d'ouvido
Frases vulgares e vários "duvidos"

Tantas coisas eu deixei pra trás
Tantas que não vou voltar a ver
Tantas que eu nem quero mais
E tantas eu tentei esquecer

Os bares hoje não me fazem sentido
Esses pares e seus meros sorrisos
Nossos lugares num passado perdido
E as frases terminam com "eu tô fodido"

A força não é nada sem a fé
Os passos não são nada sem uma direção
Como uma limusine sem chofer
Lágrimas caladas e uma ação sem reação

Tanto esforço pra silenciar a mente
Quando quem mais quer falar é o peito
E tanto esforço pra seguir em frente
Quando descansar é meu único desejo

Estou onde me deixei dominar pelas leis do tempo rei
Não na velhice, mas na juventude
Estou onde eu descansei, me acomodei e me acovardei
Não nas planícies, mas na plenitude

Elos

Eu tenho muito mais medo de quem fala mal
Do que daquele que é mal falado
Tenho mais pena de quem estampa felicidade
Do que de quem se mantém calado

O frio e calculista não canta a vitória antes da hora
Porém o ganancioso, explode anseios em entusiasmo
Quem confunde cabeças com escadas também roda
E a vida poderá até te sorrir de volta, mas é sarcasmo

A autossabotagem só te leva a um lugar, à solidão
E só a tua humildade te levará longe na imensidão

Quando você tem medo de dar errado
Pelas coisas que aconteceram em seu passado, sem florescer
Você apenas terá o seu futuro enterrado
No cemitério de um pântano dos que nem chegaram a nascer

Onde Sonhos são anjos e pesadelos são Demônios
Na trindade, somamos a Realidade entre lágrimas e sorrisos
Onde os passos são anjos e tropeços são demônios
Mil, dez mil cairão e depende apenas de ti para não atingido

Entre os exímios e os exilados, Maquiavel e o maquiável, versos
A fé que tu tens, é em um destino criado por ti ou pelo Universo?

Remendos

Com o tempo a gente se esquece do que sabe
Com o tempo a gente nem vê o quanto cabe
Com o tempo a gente nem percebe que invade
Com o tempo a gente nem vê que já é tarde

Eu faço dos meus erros aprendizados
Quando os entendo
Mas pode ser que eu até erre de novo
E aí, eu me remendo

Só que às vezes vazo quebrado
Se remenda errado
E o que fica à mostra são cacos
Cicatrizes e pedaços

É preciso se cobrir de argila
Se repintar, colocar mais água e novas flores
Ao cintilar e dilatar pupilas
Não se esquecer dos amores, nem das dores

Se refazer, se remontar sem perder sua essência
Arriscar e se reinventar em veemência
Mesmo que pra isso tenha que se fazer ausência
E voltar mais forte em sua resistência

Entre as cinzas e o renascimento
Só você sabe qual foi o tamanho do sofrimento
Entre dias de luz e esquecimento
Só você sabe qual foi a cura de seus ferimentos