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Postagens

Apartai-vos

Aos dramas de quem queima largada
Bate a falta antes do apito
De quem comemora antes da chegada
E quer ganhar tudo no grito

Aos dramas de quem cria ilusões
Transforma meros humanos em heróis
Depois metamorfosa-os em vilões
Dizendo que tudo corrói e tudo destrói

Aos dramas dos suspiros
Com os olhares, trejeitos e sorrisos
O amor maior que o infinito
E de repente, nem é mais tão bonito

Aos dramas de toda separação
Tão difícil de conceber como a um infarto
Bem natural como um furacão
Deixa tudo o que construímos em pedaços

Aos dramas de toda a solidão
Os melodramas dos que dizem não ter ninguém
Mas não observam a imensidão
E tornam-se das oportunidades, os meros reféns

Aos dramas mundiais
Em sofrimentos, catástrofes e tragédias
Todas as lamas sociais
Adversidades e calamidades em rédeas

Aos dramas espirituais
Onde buscamos a mais sincera elevação
Ao Dharma e aos Karmas
Deixemos os dramas em rumo à evolução
Postagens recentes

Corvos e Corujas

O som das garças e da lagoa
Dos galhos ao vento que ressoa
O som das vozes vem e ecoa
E do passo, que na grama entoa

Sou meus delírios e deixo minha nave seguir
Sem gravidade, apenas o vácuo e sua escuridão
Sou o meu colírio e me desequilibro ao sorrir
Refletido em sombras, concretos e a imensidão

Sou pequena parte de quem nem passou por aqui
Mas deixou suas palavras serem como rios
Fluviais que correm como se não tivessem o fim
Mas cortam as pedras de um coração febril

Sou um labrador com a cara pra fora da janela
Corro atrás de bolas e bicicletas
Destruo os seus chinelos, bebo água das vielas
E observo as suas saídas secretas

Sou todas as vidas por onde andei
Sou cada rabisco que desenhei
Sou todas as canções que eu cantei
E sou os devaneios que sonhei

Nessa noite, ao som de corvos e corujas
Onde o silencio limpa e desenferruja
No espaço vazio, a nossa alma mergulha
Onde podemos lavar toda roupa suja

Simples assim, com um olhar
Simples assim, com um sonar

Maturando Solidão

O som das máquinas, da chuva e dos carros
No ranger das portas, nos galhos e nos pássaros
A luz que passa em silêncio e sussurros do vento
O pulsar dos sentimentos, seus passos descendo

São fantasmas em pensamentos, são passados em devaneios
As lágrimas em acolhimento e os sorrisos guardam meus segredos

Empurram seus móveis, abafam as suas brigas
Expulsam os hóspedes e escondem suas feridas
As crianças que correm, sujam os pés e as camisas
E os velhos dormem para evitar a fadiga

São fantasmas em pensamentos, são passados em devaneios
As lágrimas em acolhimento e os sorrisos guardam meus segredos

O som baixo da TV, um braço não mais dormente
O vazio a crescer, o laço em desapego indiferente
Os pés no braço do sofá e o meu pescoço todo torto
Abro os olhos devagar, me sinto detido e ao mesmo tempo solto

Textos Egoístas

Tenho textos em gavetas
Alguns sem começo
Outros sem meio ou fim

Tenho textos amassados
Que não joguei no lixo
E ainda guardo pra mim

Tenho textos que não escrevi
Que somem com o tempo
Em travesseiros e lençóis de cetim

Tenho textos só meus
Que não divido com ninguém
Num quarto escuro, mas enfim...

Não me importo!

Redenção

Me faço de pequenas preces
Deixo as coisas desligarem automaticamente
E me livro de minhas vestes
Estou mais leve que as estrelas e o sol poente

Sou uma neblina em meus pulmões
Sou a vontade de estar em paz comigo mesmo
Sou o reencontro de minhas ficções
Sou o dono de meus mais profundos segredos

Então nos encontramos novamente
Em meio a escuridão
Fecho os olhos e descanso a mente
Em meio a imensidão

Nossas mãos se unem na altura de sua cintura
E eu posso sentir seu abraço em um olhar
Nem deu tempo, fui sugado por minha fissura
Uma rachadura em lacuna, me fez chorar

Me fez sangrar enquanto eu me cicatrizava
Me machucou profundamente a me curar
Tirou a angustia que tão interna me matava
Em lágrimas mórbidas veio a me medicar

Não queria sentir como uma estátua de sal
Mas às vezes o fantasma vai e vem
Não fazia menor sentido me fazer tão mal
Para depois vir e me deixar tão bem

A Varanda e o Silencio da Cidade

Normalmente selecionamos memórias
Horizontamos o outrora
E autorizamos a vinda do silencio

Rabiscamos todas as nossas divisórias
Estradas de Por do Sol e trajetórias
Desenhamos os belos momentos

Mas foi quando a gente se desconheceu
E de repente se esqueceu
De quem éramos um pro outro

Ou foi quando a gente realmente se conheceu
E de repente percebeu
Que talvez não valesse o esforço

Os sonhos partem o que não tínhamos juntos
Não tínhamos em comum nos mundos
E limpei você de minha estante

Os rumos se dividem sem ter mais assunto
Não mais se multiplicam em segundos
Duram tanto tempo quanto um instante

Parei de falar no plural e nem tinha percebido...

Crisálida (parte 2)

Pode parecer estar tudo bem
Como um buquê de flores mortas
Jogado aos casais que nunca virão

Pode aparentar uma passagem
Um corredor onde trancam as portas
Ou em um túnel por onde vocês nunca sairão

Estamos em queda-livre
Com apenas duas cordas pra puxar
Será que vamos sobreviver depois da liberdade?

Em caminhos de que se definem
Destinos em meio a decisões do selecionar
Nos questionando sempre sobre o que realmente é verdade

Escolhi me incomodar
Deixei de me acomodar
E espero que isso nunca vá mudar

A vontade de mudar...