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Remendos

Com o tempo a gente se esquece do que sabe
Com o tempo a gente nem vê o quanto cabe
Com o tempo a gente nem percebe que invade
Com o tempo a gente nem vê que já é tarde

Eu faço dos meus erros aprendizados
Quando os entendo
Mas pode ser que eu até erre de novo
E aí, eu me remendo

Só que às vezes vazo quebrado
Se remenda errado
E o que fica à mostra são cacos
Cicatrizes e pedaços

É preciso se cobrir de argila
Se repintar, colocar mais água e novas flores
Ao cintilar e dilatar pupilas
Não se esquecer dos amores, nem das dores

Se refazer, se remontar sem perder sua essência
Arriscar e se reinventar em veemência
Mesmo que pra isso tenha que se fazer ausência
E voltar mais forte em sua resistência

Entre as cinzas e o renascimento
Só você sabe qual foi o tamanho do sofrimento
Entre dias de luz e esquecimento
Só você sabe qual foi a cura de seus ferimentos
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Piegas

Eu vi em seus olhos
Os caminhos que me levam
Dimensões, universos
E sentidos que me carregam

Senti vontade de mergulhar
Descobrir suas escuridões
Senti vontade de te encantar
E cantar as belas canções

Montar um álbum de novas fotos
Para folhear futuramente
Juntar a louça, lavar nossos copos
Envelhecer eventualmente

As tristezas saem
Nos levam a ver E as estrelas caem
Nos levam a crer

Um Sol em Marte
E um céu estrelado de interior
Uma praia do Norte
E algumas viagens ao exterior

Te chamei pra sair
E eu saí de mim
Te chamei pra sorrir
E não queria fim

E hoje eu canto algumas canções de um amor piegas
Canções que normalmente deixam as pessoas cegas...

Perdição

Ouço som do seu sorriso sem fones ou alto falantes
Os seus olhares foram fotografados em minha mente
E o abraço é um pedaço de uma saudade ressonante
O novo geralmente é inflável, refletido, transparente

E eu que sempre contemplei o caos e a intensidade
Me vejo prezo a essa tal felicidade estampada na cara
Faço parte dos bobos com sorrisos tolos pela cidade
Mesmo que metade de mim tenha medo dessas amarras

Não custa nada tentar, sonhar ou ter aquilo que vocês chamam de Fé
Eu saio da escuridão de uma capela vazia e me dirijo a uma enorme Sé

(...)

Bom,
Faço o sinal da cruz e seja o que Deus quiser

Apartai-vos

Aos dramas de quem queima largada
Bate a falta antes do apito
De quem comemora antes da chegada
E quer ganhar tudo no grito

Aos dramas de quem cria ilusões
Transforma meros humanos em heróis
Depois metamorfosa-os em vilões
Dizendo que tudo corrói e tudo destrói

Aos dramas dos suspiros
Com os olhares, trejeitos e sorrisos
O amor maior que o infinito
E de repente, nem é mais tão bonito

Aos dramas de toda separação
Tão difícil de conceber como a um infarto
Bem natural como um furacão
Deixa tudo o que construímos em pedaços

Aos dramas de toda a solidão
Os melodramas dos que dizem não ter ninguém
Mas não observam a imensidão
E tornam-se das oportunidades, os meros reféns

Aos dramas mundiais
Em sofrimentos, catástrofes e tragédias
Todas as lamas sociais
Adversidades e calamidades em rédeas

Aos dramas espirituais
Onde buscamos a mais sincera elevação
Ao Dharma e aos Karmas
Deixemos os dramas em rumo à evolução

Corvos e Corujas

O som das garças e da lagoa
Dos galhos ao vento que ressoa
O som das vozes vem e ecoa
E do passo, que na grama entoa

Sou meus delírios e deixo minha nave seguir
Sem gravidade, apenas o vácuo e sua escuridão
Sou o meu colírio e me desequilibro ao sorrir
Refletido em sombras, concretos e a imensidão

Sou pequena parte de quem nem passou por aqui
Mas deixou suas palavras serem como rios
Fluviais que correm como se não tivessem o fim
Mas cortam as pedras de um coração febril

Sou um labrador com a cara pra fora da janela
Corro atrás de bolas e bicicletas
Destruo os seus chinelos, bebo água das vielas
E observo as suas saídas secretas

Sou todas as vidas por onde andei
Sou cada rabisco que desenhei
Sou todas as canções que eu cantei
E sou os devaneios que sonhei

Nessa noite, ao som de corvos e corujas
Onde o silencio limpa e desenferruja
No espaço vazio, a nossa alma mergulha
Onde podemos lavar toda roupa suja

Simples assim, com um olhar
Simples assim, com um sonar

Maturando Solidão

O som das máquinas, da chuva e dos carros
No ranger das portas, nos galhos e nos pássaros
A luz que passa em silêncio e sussurros do vento
O pulsar dos sentimentos, seus passos descendo

São fantasmas em pensamentos, são passados em devaneios
As lágrimas em acolhimento e os sorrisos guardam meus segredos

Empurram seus móveis, abafam as suas brigas
Expulsam os hóspedes e escondem suas feridas
As crianças que correm, sujam os pés e as camisas
E os velhos dormem para evitar a fadiga

São fantasmas em pensamentos, são passados em devaneios
As lágrimas em acolhimento e os sorrisos guardam meus segredos

O som baixo da TV, um braço não mais dormente
O vazio a crescer, o laço em desapego indiferente
Os pés no braço do sofá e o meu pescoço todo torto
Abro os olhos devagar, me sinto detido e ao mesmo tempo solto

Textos Egoístas

Tenho textos em gavetas
Alguns sem começo
Outros sem meio ou fim

Tenho textos amassados
Que não joguei no lixo
E ainda guardo pra mim

Tenho textos que não escrevi
Que somem com o tempo
Em travesseiros e lençóis de cetim

Tenho textos só meus
Que não divido com ninguém
Num quarto escuro, mas enfim...

Não me importo!