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Mostrando postagens de 2018

Apartai-vos

Aos dramas de quem queima largada
Bate a falta antes do apito
De quem comemora antes da chegada
E quer ganhar tudo no grito

Aos dramas de quem cria ilusões
Transforma meros humanos em heróis
Depois metamorfosa-os em vilões
Dizendo que tudo corrói e tudo destrói

Aos dramas dos suspiros
Com os olhares, trejeitos e sorrisos
O amor maior que o infinito
E de repente, nem é mais tão bonito

Aos dramas de toda separação
Tão difícil de conceber como a um infarto
Bem natural como um furacão
Deixa tudo o que construímos em pedaços

Aos dramas de toda a solidão
Os melodramas dos que dizem não ter ninguém
Mas não observam a imensidão
E tornam-se das oportunidades, os meros reféns

Aos dramas mundiais
Em sofrimentos, catástrofes e tragédias
Todas as lamas sociais
Adversidades e calamidades em rédeas

Aos dramas espirituais
Onde buscamos a mais sincera elevação
Ao Dharma e aos Karmas
Deixemos os dramas em rumo à evolução

Corvos e Corujas

O som das garças e da lagoa
Dos galhos ao vento que ressoa
O som das vozes vem e ecoa
E do passo, que na grama entoa

Sou meus delírios e deixo minha nave seguir
Sem gravidade, apenas o vácuo e sua escuridão
Sou o meu colírio e me desequilibro ao sorrir
Refletido em sombras, concretos e a imensidão

Sou pequena parte de quem nem passou por aqui
Mas deixou suas palavras serem como rios
Fluviais que correm como se não tivessem o fim
Mas cortam as pedras de um coração febril

Sou um labrador com a cara pra fora da janela
Corro atrás de bolas e bicicletas
Destruo os seus chinelos, bebo água das vielas
E observo as suas saídas secretas

Sou todas as vidas por onde andei
Sou cada rabisco que desenhei
Sou todas as canções que eu cantei
E sou os devaneios que sonhei

Nessa noite, ao som de corvos e corujas
Onde o silencio limpa e desenferruja
No espaço vazio, a nossa alma mergulha
Onde podemos lavar toda roupa suja

Simples assim, com um olhar
Simples assim, com um sonar

Maturando Solidão

O som das máquinas, da chuva e dos carros
No ranger das portas, nos galhos e nos pássaros
A luz que passa em silêncio e sussurros do vento
O pulsar dos sentimentos, seus passos descendo

São fantasmas em pensamentos, são passados em devaneios
As lágrimas em acolhimento e os sorrisos guardam meus segredos

Empurram seus móveis, abafam as suas brigas
Expulsam os hóspedes e escondem suas feridas
As crianças que correm, sujam os pés e as camisas
E os velhos dormem para evitar a fadiga

São fantasmas em pensamentos, são passados em devaneios
As lágrimas em acolhimento e os sorrisos guardam meus segredos

O som baixo da TV, um braço não mais dormente
O vazio a crescer, o laço em desapego indiferente
Os pés no braço do sofá e o meu pescoço todo torto
Abro os olhos devagar, me sinto detido e ao mesmo tempo solto

Textos Egoístas

Tenho textos em gavetas
Alguns sem começo
Outros sem meio ou fim

Tenho textos amassados
Que não joguei no lixo
E ainda guardo pra mim

Tenho textos que não escrevi
Que somem com o tempo
Em travesseiros e lençóis de cetim

Tenho textos só meus
Que não divido com ninguém
Num quarto escuro, mas enfim...

Não me importo!

Redenção

Me faço de pequenas preces
Deixo as coisas desligarem automaticamente
E me livro de minhas vestes
Estou mais leve que as estrelas e o sol poente

Sou uma neblina em meus pulmões
Sou a vontade de estar em paz comigo mesmo
Sou o reencontro de minhas ficções
Sou o dono de meus mais profundos segredos

Então nos encontramos novamente
Em meio a escuridão
Fecho os olhos e descanso a mente
Em meio a imensidão

Nossas mãos se unem na altura de sua cintura
E eu posso sentir seu abraço em um olhar
Nem deu tempo, fui sugado por minha fissura
Uma rachadura em lacuna, me fez chorar

Me fez sangrar enquanto eu me cicatrizava
Me machucou profundamente a me curar
Tirou a angustia que tão interna me matava
Em lágrimas mórbidas veio a me medicar

Não queria sentir como uma estátua de sal
Mas às vezes o fantasma vai e vem
Não fazia menor sentido me fazer tão mal
Para depois vir e me deixar tão bem

A Varanda e o Silencio da Cidade

Normalmente selecionamos memórias
Horizontamos o outrora
E autorizamos a vinda do silencio

Rabiscamos todas as nossas divisórias
Estradas de Por do Sol e trajetórias
Desenhamos os belos momentos

Mas foi quando a gente se desconheceu
E de repente se esqueceu
De quem éramos um pro outro

Ou foi quando a gente realmente se conheceu
E de repente percebeu
Que talvez não valesse o esforço

Os sonhos partem o que não tínhamos juntos
Não tínhamos em comum nos mundos
E limpei você de minha estante

Os rumos se dividem sem ter mais assunto
Não mais se multiplicam em segundos
Duram tanto tempo quanto um instante

Parei de falar no plural e nem tinha percebido...

Crisálida (parte 2)

Pode parecer estar tudo bem
Como um buquê de flores mortas
Jogado aos casais que nunca virão

Pode aparentar uma passagem
Um corredor onde trancam as portas
Ou em um túnel por onde vocês nunca sairão

Estamos em queda-livre
Com apenas duas cordas pra puxar
Será que vamos sobreviver depois da liberdade?

Em caminhos de que se definem
Destinos em meio a decisões do selecionar
Nos questionando sempre sobre o que realmente é verdade

Escolhi me incomodar
Deixei de me acomodar
E espero que isso nunca vá mudar

A vontade de mudar...

Forca

Clandestinos de corpos
Forte como a carne e os ossos
Embriagados sem copos
Nascidos na impureza, Lótus

Aos nós a qual eu me enforco
A preocupação com um dos nossos
Indo onde não quero, não gosto
Um sacrifício de tempo, de esforços

Mas ajuda-te por favor
Faço meramente o que posso
E o que posso é clamor
Em meio aos seus destroços

Dificudade
Nas forças que invoco
E saudades
Lembranças que evoco

Eu ainda não li a sua carta...

Liberdade Abraço

Nossa liberdade é cantada e feliz
É o adeus de quem quer ir
É o orgulho de dizer - Eu que fiz
É respirar pra tudo e sorrir

A liberdade é saber que há o bem e o mal
Que todo formato diferenciado é mais que igual
Que a realidade do próximo é teu surreal
Que é tudo tão assimétrico, mas nada é acidental

A liberdade é aquilo que você acredita ser o melhor
Mas também pode ser abrir os olhos e ver o que há de pior
A liberdade é entender toda a beleza que há no suor
As curvas que ela faz em sua vastidão ou em seu pormenor

Posso falar de tantos sinônimos que chegarão ao que acredito ser liberdade
Mas adoro ouvir seus antônimos onde nos abraçamos e matamos a saudade

A Liberdade em um Abraço
Me faz lembrar o quão forte é esse laço
Mesmo longe em cada passo
O quão forte me desmorono, me desfaço

Em total recuperação...

O que buscamos é realmente a cura ou são as loucuras?

Suas ilusões e solidão são apenas suas
Assim como suas fúrias, mágoas e loucuras
Suas transformações são mais que suas
São do ambiente, ciclos, sua lua e suas ruas

A bondade e a maldade são naturais
Do mesmo modo que a luz ou o escuro, do que é feio ou o que é belo
Mas depende dos olhos de quem vê
Assim como podemos lotar um barraco, podemos esvaziar um castelo

Me calei quando deveria ter falado
Expulsei aquilo que não mais me tem pulsado
E me encantei com um mero fardo
O que deveria ter explanado, mas foi espanado

Tudo o que se desfez em nitidez, me fez crescer
De tudo aquilo que eu dividi, fez-se no milagre da multiplicação
As nossas cicatrizes nos presenteiam do aprender
Onde o professor é um destino escolhido e as quedas são a lição

O tempo cura - é um clichê de um discurso perdido
Que antes até parecia bonito
O tempo cura - é mera frase de um palestrante falido
Que antes parecia fazer sentido

O que buscamos é realmente a cura ou são as loucuras?

Turbilhão

Estou novamente em busca de salvações
Pois as anteriores me levaram a novas quedas
É que talvez sejam fracas minhas orações
De tempestades fortes, onde apagam-se velas

Deixo as janelas abertas e o meu quarto fica úmido
Entra Luz com a mesma proporção que entra destruição
De forma natural como um momento de paz e ruídos
De forma atemporal como um sonho, pesadelo ou apagão

Estou novamente com a esperança abatida
Desanimado e desiludido com os muros que eu mesmo levantei
E caminho sem deixar uma carta de partida
Algumas coisas na estante e sem mais instantes, ao menos tentei

Deixo as janelas e as cortinas fechadas
Entra Luz com a mesma proporção que entra destruição
Aos poucos, poeiras e bolor em pousada
Entra realidade com a mesma proporção que entra ficção

De vórtices, não apenas se derrote
Antes que suas palavras voltem
Sem bussolas encontre o seu Norte
Antes que suas palavras cortem

Sinto que o tempo está inerte
Num espaço sem brilho onde o espelho não reflete
Vilão de meu próprio fa…

Um Terceiro Inferno

De toda imagem mostrada
Ainda que escondido de baixo de suas asas
E de toda espada levantada
Sem que saiba se defender ou saiba atacar

Talvez com perseverança e certa veemência
Não percebe sua arrogância, sua deficiência

Na esperança de alguma fé falida
Fala mais do que o que te foi dito, apenas compreendido
Interpretado por quem gasta saliva
Fala à nuca de quem tem ido e a quem nunca fará sentido

Talvez com perseverança e certa veemência
Um céu aos que estão em paz ou decadência

O que vou deixar, são os passos que trilhei
Pegadas na areia que com o tempo vão se apagar
Questões que estão na missão que eu criei
Ir onde há guerra ou onde eu sinta que é o meu lar

Talvez com perseverança e certa veemência
Dois céus a quem dorme em paz, em ciência

Há lotação, não há mais lugares aos novos réus
Jogados às traças, roupas velhas e ternos
Ultimamente as almas não têm subido aos céus
Então assim, foi criado um terceiro inferno

Vias e Viés

Estamos entre quem escolhemos de aliados
E quem realmente é
Estamos entre as verdades, mentiras e fardos
Entre foco, força e fé

Estamos sempre andando em direção a um abismo
Entre atravessar ou cair
Estamos cheios de marcas, mágoas e ainda sorrimos
Pra cicatrizar, há de ferir

Mas o que realmente nos fere?
Quem verdadeiramente tem esse poder?
Quem nos causa ânsia ou febre?
Quem te traz náuseas, os outros ou você?

Quem te trouxe até aqui?
Se não foi você, é sua culpa de ter sido guiado
Quem te trouxe até aqui?
Se tu veio sozinho ou junto ao rebanho, ao gado

Se arrepende ou ama quem se tornou?

A Base

A base me faz pensar
Sem mensagens horizontais ou letras a expressar
Um passageiro a viajar
Em estradas, frases chegam como se já fossem lar

Sou um terço do que não rezei
Em partes despedaçado e em outras, descolado
Mas algumas bagagens eu deixei
Eram muito peso e eu achei melhor não ter levado

A base vem bem antes do pilar
São meus pés no chão enquanto estou a voar
Onde as loucuras vão se relocar
Solos e duetos a se transportar, se transformar

Os cotovelos sobre a mesa e as mãos juntas
Abaixo a cabeça em forma de oração, mas é uma luta
Tão externa, que internam minhas disputas
Entre humanos e demônios, a suplica que não se escuta

A base é esse retorno aos anjos
Que me religa em seus arranjos

Fobias

As energias são intensas
E as colisões, imensas
As estradas são extensas
De quedas e sentenças

Não importa a quem pertença
Os olhares são a diferença
Podem ser a cura ou a doença
Entre ceticismos e crenças

Apenas vemos aquilo que queremos enxergar
Só vamos para onde nós queremos chegar
Só voltamos para onde nós queremos regressar
Somos zonas de conforto, a se acostumar

Sem confrontos quando queremos paz
E talvez a paz seja esse cegar
Onde há medo, você nunca vai lá e faz
Inerte e não inerente, vai alugar

Vai gastar, não gostar, se degastar...
E assim, não chegar a nenhum lugar

Mirai

Temos tudo para ganhar
Na mesma proporção que temos para perder
E queremos nos libertar
Mas confundimos Liberdade com se prender

Temos todas as informações nas mãos
Mas tanta notícia gera interpretação
Temos o passo a passo da comunicação
Mas só os nossos passos dão a lição

No mesmo dia que temos a vontade de viver
Nos vem uma imensa vontade de morrer
No mesmo dia que aprendemos o que é sofrer
Nos vem a vontade de reerguer, fortalecer

Não perdi as minhas manias e ainda assim mudei
Não perdi o medo de altura e mesmo assim pulei...

Concavos

Tem coisas que só enxergamos de olhos fechados
Tem coisas que só podemos ouvir ficando calados

É bem mais fácil peitar e afrontar
Do que pedir perdão e se enfrentar
É mais fácil fingir e talvez sonhar
Do que dormir e tentar se levantar

São as faces desta insônia, olheiras e um mau humor
Não se disfarça em colônia, nada que possa sobrepor

Hoje em dia a realidade se tornou algo superficial
A verdade baseada em um fato virtual
Uma conexão que não mais conecta, só faz o mal
E se torna habitual, um ritual irracional

Momentos que o Universo fornece
Depende se é paz ou experiência, caos ou tormentas
Mas é sempre assim que acontece
Depende de como as usa, são armas ou ferramentas

Um pesadelo dessa mente acordada, totalmente cansada
Não espero por anjos ou fadas, não espero por mais nada

Toca o despertador de manhã
E dá vontade de acordar só depois do almoço
Uma mordida rápida na maçã
Corre atrasado e muito desesperado ao ponto

Sentimos muito que por doer, nós devemos perdoar
Para curar e se r…

Inativismo

Vai levar ou está só olhando?
Realizar ou ficar sonhando?
Desenhar ou não sair do rabiscando?

Enquanto algum céu desabava
E por dentro alguém sangrava
Nos deram desculpas de que o tempo curava

Senti que o vazio preenchia e levava minha alma
Que a escuridão me tomava
E eu não sabia no que me tornara

Aprendi a cortar as frequências
Me desligar das interferências
Mas sou de explosão e impaciência

Aprendi a modular meus ambientes
A deixar o silencio mais presente
Mas sou de ranger os dentes, socar paredes

Teoricamente tudo é bem simples
Retóricamente aos que fingem
Mascarando sorrisos e pedindo um brinde

E eu, eu sou transparente
Quando é amor você sente
Mas quando é ódio, sai da frente

Estou cansado de gente com muita estória e pouca realidade
Que pra si mesmos, são a mera falsidade
Mas pra sair disso eu teria que sumir dessa cidade... E quem sai da sociedade?

(In)Quietude Inebria

Não sei se eu sinto a sua falta
Ou se essa falta, qualquer outro corpo me faria
A lacuna de alguém que inspira
E não simplesmente a de uma consciência fria

Coloquei meus ressentimentos no papel, queimei
E as cinzas subiram como se fossem almas
Um cemitério repleto de todos os adeus que já dei
O sentimento livre de uma concepção salva

O sorriso sádico, de quem meramente finge demência
O canto sólido de alguém que está cheio de ausências

O passo para trás não serve apenas de impulso
Mas para te lembrar do caminho percorrido
Uma frase mal intencionada e o insulto intruso
O semblante de um universo deserto, vazio

E eu tive mais pena de quem sorria, do que de quem sofria
Tive mais pena de quem não sentia, do que de quem fingia

Confuso não?

É o Céu de inverno, de tons vermelhos entre o Nascer e o Pôr do Sol
É o Reflexo da Lua e das estrelas à margem de um abandonado farol

Sinto falta, são náuseas da ressaca
Em temperatura baixa, quase deitado na vala
Sinto asma, soluço que me engasga
Não há…

Distopia Real

De onde a gente arruma força pra acordar tão cedo
De onde a gente arruma força depois de tantas quedas
De onde a gente arruma força pra superar os erros
De onde a gente arruma força pra conseguir sair da merda

O sonho que não mais existe a caminho da Avenida da Saudade
O jovem que segue andando sozinho na Avenida da Amizade
Deixando seu arbítrio pregado, pegando um trem pra Liberdade
Dizem que está ganhando, mas está deixando mais da metade

Se pintar qualquer coisa, qualquer bico aos seus pilares
Se sobrar só o osso e madeirite aos lares
Se sobrar assunto, sorriso, momento, filosofias de bares
Se chamar de minoria, são seus milhares

É tradição roubar a honestidade, a dignidade e a honra
Fazer fronteiras para toda ciência, toda sapiência
Transtornar, transformar tudo em uma grande gangorra
Rir na cara da sociedade, ostentando a tendência

E sempre foi assim entre o céu e o inferno
Os acomodados continuam cegos com o que é eterno
Os incomodados explodindo o que é interno
Inconformados qu…

Soropositivo

Não finja ser feliz, apenas seja
Liberte-se do que lhe causa tristeza
Aquele que diz vence, te convence de que é tudo um jogo
Então mentalmente, pegue as coisas dele e taque fogo

Não finja nada que não seja teatral
A arte de purificar e elevar o astral
Por doer, que você possa perdoar, mas nunca vá se redoar
Use o tempo vago para preencher lacunas e se redobrar, transbordar

Essa de amor próprio até que parece difícil
Mas é mais simples do que observar o precipício
Ver que é só uma queda para desistir de tudo, é não saber o que é tudo
Há milhares de novas chances, novos sonhos e horizontes nesse mundo

E... Quantas vítimas se tornaram heróis?
Nunca saberá, se não tentar ver
E... Quantas chances terá para ser mais?
Nunca saberá, se não tentar ser

Cascata

Foi se naquele momento de decepção
Agora é tristeza, vazio e desilusão
A foice e o ódio de um soco no portão
E quem paga o preço é a sua mão

Um inferno astral apaga seu sorriso
Abre os braços e se deita no piso
É um corpo quente em um chão frio
Alma e mente na corrente do rio

A colisão é uma Cachoeira
A queda derradeira
Que começa na bebedeira
E termina na sarjeta

Não adianta culpar as pedras pelos seus tropeços
Prestamos atenção nos detalhes do caminho quando estamos passageiros
As pontes, árvores, todo pormenor desde o começo
Enquanto o motorista foca na pista podemos abraçar nuvens e travesseiros



(De) Vagar

Você sabe aquele sentimento que ninguém deseja ressentir
Nem ao menos o poeta, porém essa sensação se torna uma bela poesia
Mas também é a emoção que pode tornar aquela pessoa mais fria

O instinto humano é ser egoísta e eu falo do egoísmo possessivo
Não só do material ou o do tal amor, o tal ciúmes agressivo
E para mim, às vezes é mais fácil desistir do outro do que de um sonho

Mas como a maioria dos instinto, eles se extinguem com o raciocínio
Inconscientemente o egoísmo vai perdendo todas as suas forças
Quando o indivíduo, tão individual, percebe que pode acabar sozinho

E aí você não está errado, mas sempre foi o trouxa da história, o bonzinho
Vai se deitar de consciência limpa, mas não dorme tão bem
E as pessoas que erram e continuam errando, parecem ter dormido tranquilos

Não é tão fácil permanecer confiando nas pessoas, nem tão pouco ficar só
E por isso talvez eu entenda que algumas Pessoas se Sujeitam à Ciclanos
Mas mesmo que ainda nós tenhamos a fé de que vai dar certo algum di…

Gravidade Vertical

Essas luzes no escuro não são a esperança
São apenas efeitos de minhas escolhas
Passageiro de indecisões, papeis e plantas
De sensoe incenso que explode bolhas

O vazio torna-se sentido no brilho de feixes finos
Que desenham um pouco da poeira existente
O vácuo e a lacuna passam pela porta sem destino
É o que não mais existe, se fazendo presente

Deixo a onda levar como se fosse a oferenda
Deixo o perfume subir em melodias
Deixo o vento me abraçar de uma forma lenta
Deixo o que não é meu, em fantasias

Poesias que não escrevi
Poemas que me esqueci

Era o vagar que cambaleava
A relatividade, a gravidade em um muro sem relevo
Era uma ofensa que trovejava
A continuidade na finalidade, na vontade do sedento

Um corredor sem fim, o limbo sem apoio
Eramos nós
Toda margem, toda borda e todo contorno
Eramos sós

A parede era um apoio àqueles que já estavam caídos
E as palavras, eram ataduras vencidas aos mais feridos

Tenho acordado em suaves prestações nesses últimos dias

Um mergulho profundo no escuro, sussurros
Silencio que ecoa no poço a qual eu me curo
E de todas as vezes em que pensei em sumir
O que me levava daqui, era já não estar aqui

Percebi que nem todos querem ver além daquilo que os cegam
A cada loucura, mil centelhas, fagulhas que nos cercam
E normalmente, a minha intenção não é a de ser compreendido
Partes saem, partes ficam e em mim, sinto-me dividido

O café vencido da tarde, a garoa fina que vem pós tempestade
E o cheiro de um incenso que me invade junto à saudade
Eu tenho acordado cansado nesse outono com cara de inverno
Chorei quando mais precisava ter sono em litígio interno

A vontade não é de extinguir,
Mas extremamente de existir, me corrigir
Em uma vontade de submergir
E intimamente me desconstruir, explodir

Você já parou hoje para se perguntar qual das coisas que perdeu que mais te fazem falta?
Eu tenho acordado em suaves prestações nesses últimos dias, em que nada está em pauta

Conde

Tem gente que prefere um amor para se ferir
Do que estar só
E tem gente que prefere pensar apenas em si
Do que ter um nós

E quem somos nós pra dizer o que é bom
Se o arbítrio é a maldição dada como dom?

Eu demorei muito para poder entender tudo isso
Que não preferimos a solidão
Mas as vezes ter foco maior e fazer compromisso
É a prioridade em suas mãos

Terno (parte 2)

Pude sentir o calafrio
E o arrepio
Era interno, era externo
Era o infinito

Toque que se passava glacial
Não era apenas até logo, não era Tchau
Eramos então, estátuas de sal
Cafés, reencontros e o Adeus em ritual

Pude ver em prantos
Quem eu nunca imaginei chorar
Pude ver um espanto
De quem eu nunca vi acovardar

Vi a força do ser remanso
Lembrei do sorriso em descanso
Do vento e de seu balanço
Das mão nas costas e do encanto

A reunião era apenas a celebração
De um vazio cheio em recordação

A Verso

Depois da tempestade criativa
A bonança vem em um formato de hiato
A turbulência, em solidão viva
E o silencio, vem explodindo, insensato

Todo potencial em qualquer gaveta
De cadernos vazios
Estojos empoeirados e caneta preta
Doente de calafrios

Mas qual remédio te acorda?
E qual intermédio te ancora?

Heteromorfo

De certo, o caos contínuo
E disserto contigo
O discursar de quem diz cursar
Algo que possa usar

Mas somos usados pelo Universo
Que uni versos ao ser disperso
E interpreto diferente o que está fora da lente
Mas inteiramente dentro dela (na mente)

O que eu quero dizer
Nem sempre é o que vai ouvir
Talvez espero descer
Ao inferno em vida, Ao sentir

Ao sem ti...

Mas eu não falo do amor ao ter
Ou perder e sim, ao todo, ao Ser

A Si!

Tinha outro Nome

O que fazer com meus pedaços
E com as correntes
Com o frio que sai pelos braços
Ou olhar pra frente?

O corpo não mais se sustenta
Meus pilares se foram
Onde a escuridão só aumenta
Destroços desmoronam

O mesmo barro da argila de um vazo
O mesmo homem nas mãos de Deus
O mesmo que é bom em ser fracasso
O mesmo solitário em meio aos seus

Quantas vezes ouvi dizer
Acalme-se amigo, tudo vai dar certo
Mas não é mesma coisa
Quando essa saudade está bem perto

Só não queria me esquecer daquela voz que se foi..
Fevereiro passou e eu não te disse nada, me perdoe

Estar vivendo a vida real é a melhor desculpa para um poeta que está sem ideias

Vamos vivendo
Em meio à ressurreições
Deixando as palavras
Poesias e canções

Vamos vivendo
Sem pensar direito
Por caminhos estreitos
Sem freio

Vamos vivendo
Despedaçando desilusões
Perdendo o jogo
Vencendo os tristes refrões

Vamos vivendo
Acordando bem cedo
Antes do almoço, recreio
Sem receio

Vamos vivendo
Saltando de para-quedas
Onde muitos tem medo
Sentindo o vento na testa

Vamos vivendo
Pois é o que nos resta
Depois da adrenalina
Um susto é festa

Vamos vivendo
E isso está repetitivo
Estamos de saco cheio
Mas entretidos

Estar vivendo a vida real
É a melhor desculpa para um poeta que está sem ideias
Torna-te tua estátua de sal
Ao olhar pra trás e saudosista, apenas querer coisas velhas

Meu filho, a inspiração vem de Deus
Disse um velho maluco passando pela outra calçada
E completou: E Deus, cada um tem o seu
Antes que eu sussurrasse: Esse velho não sabe de nada

Ele Me fez pensar...

Vil

Você está perdendo o seu tempo tentando ser alguém
Mas quem te olha, enxerga um Zé ninguém
Mentiras ditas com a verdade nas mãos e cheio de falso amém

Você está perdendo o seu tempo ensaiando sorrisos no espelho
Eles não mascaram sua embriagues e olhos vermelhos
Todos já estão sem paciência para ouvir os seus tais concelhos

Uma pena, que não se equipara com o seu coração
São pesos extremamente diferentes em exposição
E sua oração não te salva, não tem fé, não tem convicção

O que fala, o que sussurra e o que grita, só você acredita
E os conselhos para que reflita não estão nas escritas
Mas sim em uma visita não acolhida, de onde ainda és parasita

Não adianta dizer para você acordar ou crescer e aparecer
Já apareceu e com sua imagem, não sabe o que fazer
Não sabe quem é ou o que deseja ser...

Medíocre!

Imagine se as paredes pudessem revidar os socos

Existe a minha, a sua e a de muitos
Existe a absoluta e a que é baseada nos talvezes
Existe a que tanto guardei, meu luto
O que não existe é o pra sempre e sim, às vezes

Que não sejam apenas um hino religioso
Que não sejam apenas poemas de alguns versículos
Que não sejam apenas um teste rigoroso
Que não sejam apenas espalhadas, mas sim veículos

A verdade é a nossa inspiração e cópia
É o que nos falta e o que nos sobra
A verdade não está só em linhas tortas
É o que está no horizonte e na obra

Licença poética ou gírias de palavras antes, inexistentes
Dizem; Não me entenda mal, ou, não me entenda
Sentença fonética de línguas dadas à amantes, expoentes
Entre melhor que a encomenda e o que recomenda

Enfrente seus demônios ou os acolha
Onde você mais deseja estar
Nessa via de mão dupla e de escolhas
Pra onde decide ir ou voltar

Então, imagine se as paredes pudessem revidar os socos
Paciencia é uma raridade
Em um Universo onde confundem os diferentes e loucos
Massacram a moralidade

Onde masc…