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(In)Quietude Inebria

Não sei se eu sinto a sua falta
Ou se essa falta, qualquer outro corpo me faria
A lacuna de alguém que inspira
E não simplesmente a de uma consciência fria

Coloquei meus ressentimentos no papel, queimei
E as cinzas subiram como se fossem almas
Um cemitério repleto de todos os adeus que já dei
O sentimento livre de uma concepção salva

O sorriso sádico, de quem meramente finge demência
O canto sólido de alguém que está cheio de ausências

O passo para trás não serve apenas de impulso
Mas para te lembrar do caminho percorrido
Uma frase mal intencionada e o insulto intruso
O semblante de um universo deserto, vazio

E eu tive mais pena de quem sorria, do que de quem sofria
Tive mais pena de quem não sentia, do que de quem fingia

Confuso não?

É o Céu de inverno, de tons vermelhos entre o Nascer e o Pôr do Sol
É o Reflexo da Lua e das estrelas à margem de um abandonado farol

Sinto falta, são náuseas da ressaca
Em temperatura baixa, quase deitado na vala
Sinto asma, soluço que me engasga
Não há vagas, apenas um travesseiro de latas

Nesse Inverno eu me sinto o Vento empurrando o frio pelas frestas
Preciso estacionar para que internamente eu possa aparar as arestas

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Textos Egoístas

Tenho textos em gavetas
Alguns sem começo
Outros sem meio ou fim

Tenho textos amassados
Que não joguei no lixo
E ainda guardo pra mim

Tenho textos que não escrevi
Que somem com o tempo
Em travesseiros e lençóis de cetim

Tenho textos só meus
Que não divido com ninguém
Num quarto escuro, mas enfim...

Não me importo!

Liberdade Abraço

Nossa liberdade é cantada e feliz
É o adeus de quem quer ir
É o orgulho de dizer - Eu que fiz
É respirar pra tudo e sorrir

A liberdade é saber que há o bem e o mal
Que todo formato diferenciado é mais que igual
Que a realidade do próximo é teu surreal
Que é tudo tão assimétrico, mas nada é acidental

A liberdade é aquilo que você acredita ser o melhor
Mas também pode ser abrir os olhos e ver o que há de pior
A liberdade é entender toda a beleza que há no suor
As curvas que ela faz em sua vastidão ou em seu pormenor

Posso falar de tantos sinônimos que chegarão ao que acredito ser liberdade
Mas adoro ouvir seus antônimos onde nos abraçamos e matamos a saudade

A Liberdade em um Abraço
Me faz lembrar o quão forte é esse laço
Mesmo longe em cada passo
O quão forte me desmorono, me desfaço

Em total recuperação...

Corvos e Corujas

O som das garças e da lagoa
Dos galhos ao vento que ressoa
O som das vozes vem e ecoa
E do passo, que na grama entoa

Sou meus delírios e deixo minha nave seguir
Sem gravidade, apenas o vácuo e sua escuridão
Sou o meu colírio e me desequilibro ao sorrir
Refletido em sombras, concretos e a imensidão

Sou pequena parte de quem nem passou por aqui
Mas deixou suas palavras serem como rios
Fluviais que correm como se não tivessem o fim
Mas cortam as pedras de um coração febril

Sou um labrador com a cara pra fora da janela
Corro atrás de bolas e bicicletas
Destruo os seus chinelos, bebo água das vielas
E observo as suas saídas secretas

Sou todas as vidas por onde andei
Sou cada rabisco que desenhei
Sou todas as canções que eu cantei
E sou os devaneios que sonhei

Nessa noite, ao som de corvos e corujas
Onde o silencio limpa e desenferruja
No espaço vazio, a nossa alma mergulha
Onde podemos lavar toda roupa suja

Simples assim, com um olhar
Simples assim, com um sonar