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Sobre Sons

Ouço o canto do pássaro
Enjaulado e sem ambição
E se eu quiser libertá-lo
Estarei fazendo em vão

Outros pássaros pousam
Ao lado de sua gaiola
Observam sem entender
Depois vão-se embora

Ouço o som dos carros
Em buzinas a transitar
Mais alguns enjaulados
Com medo de se atrasar

Outros passam por suas janelas
E também não estão livres
Caminho entre prédios e favelas
Coragem do cinza ao grafite

E a minha esperança
É de sermos abduzidos
Levados como crianças
Ao mundo dos sorrisos

Ouço o canto dos pássaros
De alguma cidade distante
De um céu bem estrelado
Imune ao que é incessante

Independente do que aconteceu ontem
Eu sou o que enfrento, sou o meu agora
Sou também indiferente ao que contem
Do que não vem de dentro, vem de fora

O Presente acaba tendo dois significados
Um é o agora e o outro a lembrança
Assim como cada acorde e seu enunciado
Entre um sonho e uma desesperança

O som pode te cegar ou te fazer pensar
Depende muito do que estás a procurar

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Abstrato em degradês de Cinza

Já foi quase morte como se a gente não tivesse vivido ou nem tivesse nascido
Já foi pior, mas a gente reclama como se nunca tivesse aprendido
Já foi sofrido e muitas vezes eu estive arrependido ou imerso em puro declinio
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Abalo sísmico

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Luthier

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Troca o que não presta
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Reafirma o que foi belo
Embeleza o que não tinha mais valor
Desempoeira o singelo
Empodera no desflagelo do se impor

As notas em seu timbre
Os tons em seu selo
Deixa de ser o simples
Recebe o aconchego

Mais zelo ao velho
Mais belo do que o novo
Mais apelo e afeto
Mais tudo do que o todo

Mas meu tudo
Que foi renovado por um luthier
Interno, fundo
Externo o som com louvor, prazer

E é nessas horas
Que a minha poesia se renova
Dessimetria, bordas
Em curvas certas e retas tortas

Minha voz nem mais se importa
E apenas deixa a minha toada exposta
Em mil perguntas sem respostas
E uma vitória que veio de mil derrotas

A madeira de tão lustrada, parece até mais verde agora
Mas é veterana, não decrepita ou antiquada, é a Aurora