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Abalo sísmico

O nós na garganta agora transita entre o meu peito e meus pensamentos
É que de tempos em tempos eu desabo em meus desabafos mentais
E o pior é que eu nem sei se sou uma boa pessoa para me dar conselhos
Me disfarço em passos dados e a respiração aparentemente em paz

Mas eu me deito junto a demência emocional, como se fosse a primeira vez
Como se nunca tivesse aprendido e tudo fosse um imenso ciclo obrigatório a ser repetido
Percebo que a inteligência fica para uma visão mais externa, cheia de solidez
Só que na real é a mais pura palidez, no claro, sentada de frente a uma janela, sem sentido

Passam os dias e eu apenas busco a salvação desta angustia calada
O olhar avoado, as mãos soltas como se tivesse recebendo soro em um consultório
Passam nuvens e passam estrelas no reflexo de uma tela desligada
O coração apertado, a coluna levemente torta de sentimento apático, pouco notório

É essa confusão de saber que preciso de ajuda, mas espero que ninguém me note
É como se fosse tudo um desperdiço, ter qualquer afeto 
É essa indignação de não ter forças, mas saber de que de alguma forma sou forte
E é como se tudo fosse um grande hospício a céu aberto

Eu sei que não podemos escolher entre o sofrer ou o não sofrer
Apenas como lidar e é sempre bom ter esse tempo para absorver melhor
Eu sei que não podemos escolher entre o perder ou o se perder
Mas nós só nos dirigimos a um novo ciclo quando nos libertamos de nós

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