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Abstrato em degradês de Cinza

Já foi quase morte como se a gente não tivesse vivido ou nem tivesse nascido
Já foi pior, mas a gente reclama como se nunca tivesse aprendido
Já foi sofrido e muitas vezes eu estive arrependido ou imerso em puro declinio
E até o suicidio já foi nutrido no momento que me senti excluído

Mas hoje vejo que a beleza é nada mais do que míope
Tudo parece perfeito e tudo parece bem simples de longe
Sei que todo sorriso tem seu preço, tem o seu requinte
Em penalidade de alto custo a quem resiste ou se esconde

Nós tememos a morte e até a sorte que temos
E por isso nós sofremos, por isso nós nos arrependemos
Mas é só com o tempo que vamos aprendendo
Que é sempre mais de mesmo, é sempre um dia a menos

É saber dar valor
É fazer, dar sabor
É caber no favor
É trazer, ser calor

É só observar a nossa volta para perceber que a realidade é cruel
Que tem gente que está mais na merda do que você ou eu
Não consigo acreditar na tal Palavra, eu nem sei se existe um céu
Não consigo entender as controvérsias de um mesmo Deus

Mas me cubro de algumas tentativas espirituais
Mergulho em experiências, esperimentos no ensaios do cantar
Mas eu recuo e me impulsiono aos novos rituais
Não me recuso a ouvir, a sentir, a falar, explodir e me espalhar

No final do dia é tudo cinza e eu
E eu apenas espalho toda a tinta...

E eu!

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