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Garças

Não vejo fogo de incêndio, só fumaça
Muitos reclamando da desgraça
Sem ver a graça que recebem de graça
Enquanto eles invejam as farsas

Observam os sorrisos nas praças
E não enxergam a realidade dos próprios parças
Se envolvem nas culturas de massa
Sem perceber que tudo passa e se torna carcaça

Somos todos escudos, elmos e couraças
Que enferrujam, deterioram, estragam e viram traça
Mas a gente sangra, chora e levanta a taça
E onde poucos enxergam a estrada que o outro traça

É que nos levantamos e veementemente mostramos ter raça
Protegemos aquela nossa parte que é de vidraça
E... nos tornando mais fortes do que aquilo que nos ameaça
Defendendo nossa honra e deixando de ser caça

Sem virar caçador, simplesmente livres
Mostrando as asas, somos Garças felizes

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Corvos e Corujas

O som das garças e da lagoa
Dos galhos ao vento que ressoa
O som das vozes vem e ecoa
E do passo, que na grama entoa

Sou meus delírios e deixo minha nave seguir
Sem gravidade, apenas o vácuo e sua escuridão
Sou o meu colírio e me desequilibro ao sorrir
Refletido em sombras, concretos e a imensidão

Sou pequena parte de quem nem passou por aqui
Mas deixou suas palavras serem como rios
Fluviais que correm como se não tivessem o fim
Mas cortam as pedras de um coração febril

Sou um labrador com a cara pra fora da janela
Corro atrás de bolas e bicicletas
Destruo os seus chinelos, bebo água das vielas
E observo as suas saídas secretas

Sou todas as vidas por onde andei
Sou cada rabisco que desenhei
Sou todas as canções que eu cantei
E sou os devaneios que sonhei

Nessa noite, ao som de corvos e corujas
Onde o silencio limpa e desenferruja
No espaço vazio, a nossa alma mergulha
Onde podemos lavar toda roupa suja

Simples assim, com um olhar
Simples assim, com um sonar

Maturando Solidão

O som das máquinas, da chuva e dos carros
No ranger das portas, nos galhos e nos pássaros
A luz que passa em silêncio e sussurros do vento
O pulsar dos sentimentos, seus passos descendo

São fantasmas em pensamentos, são passados em devaneios
As lágrimas em acolhimento e os sorrisos guardam meus segredos

Empurram seus móveis, abafam as suas brigas
Expulsam os hóspedes e escondem suas feridas
As crianças que correm, sujam os pés e as camisas
E os velhos dormem para evitar a fadiga

São fantasmas em pensamentos, são passados em devaneios
As lágrimas em acolhimento e os sorrisos guardam meus segredos

O som baixo da TV, um braço não mais dormente
O vazio a crescer, o laço em desapego indiferente
Os pés no braço do sofá e o meu pescoço todo torto
Abro os olhos devagar, me sinto detido e ao mesmo tempo solto

Piegas

Eu vi em seus olhos
Os caminhos que me levam
Dimensões, universos
E sentidos que me carregam

Senti vontade de mergulhar
Descobrir suas escuridões
Senti vontade de te encantar
E cantar as belas canções

Montar um álbum de novas fotos
Para folhear futuramente
Juntar a louça, lavar nossos copos
Envelhecer eventualmente

As tristezas saem
Nos levam a ver E as estrelas caem
Nos levam a crer

Um Sol em Marte
E um céu estrelado de interior
Uma praia do Norte
E algumas viagens ao exterior

Te chamei pra sair
E eu saí de mim
Te chamei pra sorrir
E não queria fim

E hoje eu canto algumas canções de um amor piegas
Canções que normalmente deixam as pessoas cegas...