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Antes das Dez e dos Dez

Os pés na parede Desenhos e marcas cinzas Cabeça pra baixo Corre, sorri junto às brisas Cavalga costas Escala n'árvores Sem respostas Embala amores Céu e inferno em giz E tudo que diz é um tanto incompreensível No palco me pede bis E tudo que quis foi ser aqui, sorriso visível Abraça bem forte a minha perna Mãos cheias de chocolate ou areia Fecha os olhos e sobe a coberta O coração cheio de pureza e veias Só não fecha a porta Deixa um feche de luz salvar o escuro Bem cedo você volta Me fazendo acreditar num bom futuro

(D)Esculpe-me Vida

Tenho fome, tenho sede Tenho uma necessidade de prazer E eu não temo o pecado Mas qual causa-efeito possa trazer Entre autopsias e utopias Me sufoco de teorias Entre a criação e a poesia Me suporto de afasias Antes de dormir Me obriguei a escrever, a reescrever Não era insônia Mas uma mente cheia de “Por Quês?” Acredito num Deus prático Grande e cheio de seus repertórios Todo homem é burocrático Pequeno e quem criou o Purgatório Viver não deveria ser um erro E sim um vício Somos deuses de nós mesmos De livre arbítrio

As Vozes nos Ventos

Mesmo onde a Luz impera Há sombra E onde você menos espera Haverá soma Depende do caminho traçado O que pode dar certo ou errado Depende do percurso trilhado Estar em movimento ou parado Inerte ou dinâmico Benevolente ou satânico Poluente ou botânico Desiludido ou romântico Ouço o cântico dos ventos da madrugada E podem até parecer que não dizem nada Mas eles dizem Todo concelho por ti, liberado Que condizem Em um momento tão inspirado Podem ser para você mesmo...

Quitanda

Deus é bem mais simples que a religião E a composição é mais livre que a canção O nosso amor é mais triste que a paixão E ir ao teatro vidra mais que ver televisão Ler te faz ver outro Universo Paralelo de versos diversos e dispersos Aos espertos, os controversos Honestos submersos e inversos imersos Imenso em uma divisão do multiplicar Senso sem exploração ao compartilhar Os mestres de si mesmo Controlam a felicidade e a solidão Amor e ódio em enredo Não partem de toda ação ou fração Perfumes e fragrâncias da convicção Combustíveis de fé explodem em transição E todos os pedaços em fragmentação Esperando dos traços parados, a transmissão A criação, apesar das consequências, pular A geração, apesar das competências, pulsar Não dosar E qual é o preço da duzia? Não ditar O que era mesmo que dizia?

Uma Oração desta Manhã

A todos os que, ainda morrem jovens Quando acordam para seguir outros ideais Comecem a esperar menos dos outros Acreditar mais em ti em circuncisões reais Toda doença será tirada E em corte profundo, cicatrizada A sua dor não será nada Em comparação à cura realizada Que seja expelido de teu corpo tudo aquilo que te faz mal Da mente, do peito, das veias, do espírito e da alma Que o corte ainda esteja ali, para que saiba que teve final Onde a respiração acalma, a visão não tenha trauma Os seus sonos serão de sonhos e não mais serão pesadelos Todo humano tem fraquezas e isso não te trará mais o medo

Tenho andado distraído

Na imensidão Pressão, incompreensão Vasta repreensão Em vão de cada cidadão Em faça, há farsa Que vem da voz da massa E não nos diz nada Só amassa e só se arrasta Arrasa-se A empatia mascarada Afasta te A simpatia renunciada Nunca vão saber Vão achar, apenas que sabem algo Nunca vão entender E vão achar que eu apenas me calo E me calo, sim Pois a minha saliva não será o meu fim E me calo, sim Quero pros outros o que quero pra mim Olhar que pacifica E aqui, passa e fica

Na Mente

Uma viagem pra dentro de sua mente A canção, a ideia implantada Sonhos de um final feliz, o pra sempre A reação da platéia encantada Ouço contos de fada, narradas por um grilo E toda a verdade guardada em máximo sigilo Nós procuramos tanto a verdade Quanto a ficção Lembramos e sentimos saudade Grande fixação Toda história sem fim dentro de um livro E todo adeus na espera do que seja infinito Aceite, a Morte está mais perto a cada dia Então acene e sorria Aceite, a Sorte é você quem narra na poesia Então a cena se fazia Na mente...