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Camillo Armorier

A mesma de ontem
Vestida de pouca luz pra hoje
Iluminando só o necessário de outra noite

Traz concelhos horizontais
Dos incontáveis seres gigantes
Sendo grãos de areias errantes e gritantes

Diz em voz de sussurro
Vento do Norte, perfume de calma
Que arrepia a alma e abre as minhas asas

De repente, involuntário
É apenas um salto solitário, destinatário
Da cachoeira, cenário, santuário, mas o meu sacrário

E aqui, o meu sepulcro
Sem mais, sem futuro ou tumultuo
Mas sem paz e sem múrmuros, só o meu tumulo

Os maços de cigarros
Ficaram no banco de traz do carro
Na esquina de um bar, à que não mais me agarro

As provações
São provocações do Universo
Ao homem honesto, silenciado e incerto

De onde estou a sufocar
O arrependimento não pode matar
Apenas maltratar um lugar que desejei chamar de lar

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Conde

Tem gente que prefere um amor para se ferir
Do que estar só
E tem gente que prefere pensar apenas em si
Do que ter um nós

E quem somos nós pra dizer o que é bom
Se o arbítrio é a maldição dada como dom?

Eu demorei muito para poder entender tudo isso
Que não preferimos a solidão
Mas as vezes ter foco maior e fazer compromisso
É a prioridade em suas mãos

Fobias

As energias são intensas
E as colisões, imensas
As estradas são extensas
De quedas e sentenças

Não importa a quem pertença
Os olhares são a diferença
Podem ser a cura ou a doença
Entre ceticismos e crenças

Apenas vemos aquilo que queremos enxergar
Só vamos para onde nós queremos chegar
Só voltamos para onde nós queremos regressar
Somos zonas de conforto, a se acostumar

Sem confrontos quando queremos paz
E talvez a paz seja esse cegar
Onde há medo, você nunca vai lá e faz
Inerte e não inerente, vai alugar

Vai gastar, não gostar, se degastar...
E assim, não chegar a nenhum lugar

Soropositivo

Não finja ser feliz, apenas seja
Liberte-se do que lhe causa tristeza
Aquele que diz vence, te convence de que é tudo um jogo
Então mentalmente, pegue as coisas dele e taque fogo

Não finja nada que não seja teatral
A arte de purificar e elevar o astral
Por doer, que você possa perdoar, mas nunca vá se redoar
Use o tempo vago para preencher lacunas e se redobrar, transbordar

Essa de amor próprio até que parece difícil
Mas é mais simples do que observar o precipício
Ver que é só uma queda para desistir de tudo, é não saber o que é tudo
Há milhares de novas chances, novos sonhos e horizontes nesse mundo

E... Quantas vítimas se tornaram heróis?
Nunca saberá, se não tentar ver
E... Quantas chances terá para ser mais?
Nunca saberá, se não tentar ser