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Quarto do Vampiro (parte 3)

Meus pensamentos são astronautas indo rápido até a lua Minhas palavras são andarilhos pedindo carona nas ruas Meu coração é um pequeno ser aconchegante ao que interessa Minha alma espera por meus sonhos sem ter alguma pressa No fim do dia existe o cansaço, que por algumas noites foi esquecido Um agradecimento de arrependimento de um grande velho aborrecido Escapo para o espaço e entro num buraco negro, quando vejo meu castelo Me faço o palhaço de minha fortaleza e apelo pra tudo aquilo que é belo Um singelo flagelo do martelo Rei e bobo da corte em paralelo Esse meu show eu não cancelo Sorriam negros, branquelos e amarelos. Não os quero triste igual a um Otelo Sou a felicidade do credo em que velo Mas muitas vezes esse sorriso esta só do lado de fora da mascara Não que seja a simples falsidade, mas um disfarce, uma fachada A criança dita e o homem apenas escreve... A tartaruga que é lenta e a lebre que perde...

Outono...

É quando fazemos por fazer Que amassamos o papel É quando falamos sem querer Que nós caímos do céu Que você peça um pequeno milagre a seu deus Ou junte-se a esses deuses julgando um dos seus Empurre algum anjo para o inferno Faça nele algum machucado interno Deixe-o sozinho sem blusa no inverno Diga pra ele mentiras de algo eterno Que você peça um pequeno milagre a seu deus Ou ouça a chuva da manhã pensando em quem morreu Tentando imaginar onde ela possa estar Ou ainda imaginando que ela possa te escutar Sonhando que você ainda possa ouvi-la falar Acreditando que algum dia vão se encontrar Que você peça um pequeno milagre a seu deus Ou o faça perguntas sobre o porquê tudo aconteceu O porquê não nasceu em berço de ouro Ou se elas usam roupas de legitimo couro O que eles acham graça ao maltratar o touro Por que não fez solos quando era do coro Que você peça um pequeno milagre a seu deus E não fique aqui lamentado sobre tudo que perdeu Prefiro a musica que...

Cinza

Estou na proteção de um guarda-chuva Estou acelerando em todas as curvas Estou esperando numa esquina escura Estou por aí, fazendo alguma loucura Sou a voz que não te pede nada Sou as frases a serem editadas Sou o som em vão da caixa selada Sou a obstrução de sua estrada Vou assistir a algum filme mudo No minuto de querer mudar tudo No segundo explosivo do mundo No futuro de quem será o sortudo É estranho gostar de algumas pessoas Por simplesmente elas existirem... O que elas fizeram? Te hipnotizaram?

Ainda Latente

O resto de protesto inconsciente Veemente em ainda estar carente O gesto de um incrédulo amante E um instante sem fotos na estante O tempo que complica E a distancia que arruína De longe está tão perto E o certo que é tão incerto A sabedoria, o vicio, a peça da coleção... E...  Se... Será? Que foi tudo em vão... Escuro tão oculto... E escudo tão duro... Cujo o fruto espera no mundo seu futuro

Um Descanso no Descaso do Acaso...

De certo modo um longo prólogo De tal jeito meio que... suspeito Numa rua escura em noite de chuva E a lua que continua vazia e muda A fumaça que apenas se espalha Não sou mais dono do meu sono Não consigo mais dormir, nem sorrir Dou adeus a paz que o silencio me trás Um violão me salva nesses raros tempos vagos! Um Descanso no Descaso do Acaso...

Angústia

Anotações são lembranças estendidas Nas frases arrependidas junto às feridas Lá está você nos pensamentos mais vagos E aqui estou eu, me sentindo um fraco Ainda não sei o que faço Ainda que eu sinta esse laço Talvez, agora, eu vá te odiar Por, ainda, talvez, te amar É estranho existir e ter essas cicatrizes Lembrando de momentos que foram felizes Nada alivia...

Imersão

Uma confusão em berros paralelos Que só atrapalham meu cérebro e credo Um dragão que aparece no inverno Pode não ser o quero, mas o que espero A chuva bela pela janela e seus ventos A visão do sol quando está nascendo Como os meus momentos em segredo E o que tenho feito nos meus pensamentos Desenho um caminho com uma tinta que não se apaga Mas consigo pintar por cima de algumas paisagens vagas