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Quadros Saudosos

Nostalgia é uma saudade saudável Inevitável e inegável Rumores, amores ao que é mutável É versátil, é variável Um passado que parece tão presente Fotos da infância Embrulhados nas caixinhas da mente Álbuns, alianças Nossa mente prega uma peça na alma E percebe-se no brilho de uma lágrima

Camaleão

Estamos amadurecendo Não só de armadura, sendo De modo lento ao vento Vendo, vivendo, crescendo E estamos em partes, partindo Às vezes só, mas sorrindo Sentindo aroma de vinho tinto Degustar, extasiar labirintos Distintos ao velejar, deixar guiar Destinos ao vento, um desnortear Não sabemos muito sobre as consequências Mas temos uma consciência O que deixamos ou fazemos com frequência O que temos de convivência As escolhas e os caminhos são apenas nossos Em votos com a paz Independente dos conselhos, sei do que posso E do que sou capaz Distintos ao velejar, deixar guiar Destinos ao vento, um desnortear (...) Mas eu sei onde Eu quero chegar!

Angra

O Tempo virou A ampulheta e a bússola O Tempo deixou Algum adeus, algum olá Então veio a chuva, veio o vento Veio veloz e violento E em algum momento ficou lento Limpou o dia cinzento Antes sedento, agora remansoso Antes curioso e agora, cauteloso Cheiro bom de terra molhada Não quer mais nada Som de correnteza e enseada O suspiro da revoada Dá pra dormir muitas horas mais

Último Vagão

As pessoas, não só mudam Elas também se moldam Em seus sonhos se seguram E as folhas, elas podam Seus galhos, elas apresentam Suas raízes, elas fincam E tempestades que enfrentam São bonanças que ficam As cores se vão, mas sempre voltam E a saúde do nosso corpo, é Elemental As dores não são em vão, eles notam É também preciso que seja ela, mental Para que seu foco, força e fé vençam E que seus sonhos e crenças cresçam Das nuvens, fazemos imagens Dos horizontes, paisagens De qualquer destino, viagens E das histórias, bagagens A vida é só um rito de passagem Contos de fadas ou selvagens É onde adrenalinas são coragens E toda abordagem, mensagem No último Vagão entram e saem olhares vazios Raros, são os que te sugam e de repente, partiu

Lado B

Ato contento ao contente Ao vento que vem ao invento Em todo por cento, sente E de todo lamento, não mente Entre aquele que perde e o que achou Sacrifício é o sacro ofício Você só entrega aquilo que embrulhou Em raciocínios e vestígios Benefícios da dor Calos nas mãos por erguer os seus muros Só entende o valor Quando paga o preço de um sonho futuro Torna-se mais maduro Após a alguns apuros Torna-se mais maduro Após sentir-se seguro Suas quedas, poucos são os que veem É, mas quando se levanta, muitos vêm!

Embarque

Quase compreensível como a junção de escalas Quase pintura abstrata de um pôr do sol Quase feito de poesias bonitas pras horas vagas Quase um destino esclarecedor ou farol O silêncio mental ao jogar um anzol Vai de sétima menor à bemol Fala de álcool, formol e até girassol Canta em inglês ou espanhol Mas não sai do quase, não sai de praças ou bares E não para de falar que todos os lugares são lares Faz do amor, clichê Do vinho, gourmet Do bairro, sua turnê Das festas, matinê Os amigos se vão junto ao tempo Nossa vida passa e os caminhos seguem direções opostas Se encontra em dias de lamentos Inerte em acomodações, acredita que Deus trará respostas Acredite, que se ele tiver que te responder já será tarde Então tire seus sonhos do travesseiro e não seja covarde