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Realidades Paralelas

Somos irracionalmente tão pensantes Enquanto nós somos silenciosamente falantes Somos aproximadamente tão distantes E somos agora o futuro do que já fomos antes Analgésicos curam a dor e não a doença Dizer que a melhor defesa é o ataque, parece uma ofensa Queremos ser iguais com tanta diferença E a fuga da realidade não liberta a sua mente da presença Ou seja, em quantas realidades paralelas nós vivemos? Quais são as verdades que distorcemos? Quantas vezes nos sentimos derrotados ao vencermos? E qual o Universo que nós pertencemos? Algumas curas necessitam de uma cirurgia Com um corte tão profundo que demora para cicatrizar  De tanta exaustão, nos exaltamos em afasia Mas o olhar fala - Não confio em quem não sabe confiar

Adeus Romeu

Os seus laços não tiveram tempo de serem desamarrados Num luto ao sentimento que não morreu em ti e sim no outro Os laços foram cortados e por isso sente-se despedaçado Mas eram pontas que não se seguravam diante aos escombros Não preciso te dizer quantas coisas boas que você perdeu Pois você já se lembra disso tudo a sós e junto ao teu silêncio Ensaiou textos teatrais dramáticos, mas desistiu do enredo Apagou e amassou papéis, explodiu ao que gritava por dentro Com quem desafoga essas tristes mágoas Romeu? E por favor, não me venha com outra carta de adeus...

Carta a um Eu mais novo

Desapegue, pois o amor te fará sofrer E o ódio, não te deixará esquecer Falando assim parece fácil envelhecer É desligar um botão e amadurecer Ou chegar a pedir a Deus para um novo amor aparecer Sem perceber que esse primeiro amor deve ser por você Porém desapegue, por mais duro que seja Se for pedir algo a Deus, peça a ele forças Lute contra a ansiedade e tenha paciência  Ou aprenda a tê-la, cale-se e apenas ouça Pare de olhar para frente e olhar para trás Silencie e observe o presente que tens a sua volta Esse foi um conselho que me trouxe paz Mas demorou para eu entender, era muita revolta Não pedi nada a Deus, normalmente eu só o agradeço E como não era um momento de agradecer, eu fiquei com os meus demônios Compus canções tristes enquanto esperava o recomeço Me conheci melhor, ainda sofro, mas reorganizei minha gaveta de neurônios

Onde o Tempo não existe

Não há tanta diferença quando se fala em milhas ou quilômetros São apenas linguagens semelhantes para uma mesma distância ou velocidade Não há tanta diferença quando falamos de Fahrenheit ou Celsius São apenas cálculos ou fórmulas variadas, mas exatas em suma autenticidade São números, vírgulas, pontos e qualquer outra coisa que dizem a mesma coisa Mas quando falamos em: Vai fundo em seus sonhos E a pessoa não entende e vai ao fundo do poço Nós não sabemos o porque dela interpretar o oposto Se não observarmos seus rascunhos e esboços São números, vírgulas, pontos e qualquer outra coisa que dizem a mesma coisa Só que aí não estamos mais falando de exatas E esse é problema dessa gente chata Acharem que pra tudo tem uma fórmula mágica Mas não, não, cada um é uma obra rara E quando estes seres raros estão prestes a entrar em extinção, dizem: "Nossa, ontem ele parecia tão feliz"

Minha mais forte oração

A gratidão ativa é o que mais me faz sentido agora Não apenas receber, mas sempre devolver nesse ping pong energético A reciprocidade criativa onde o novo vem e se aflora Vai e volta, pinta, copia os horizontes e mostra no poético, no dialético As bênçãos que eu recebo, eu doo  E as ofensas que eu recebo, perdoo A gratidão ativa é o que mais me faz sentido agora O céu azul, laranja, cinza, estrelado ou escuro que sempre vem e se renova Poder respirar, sentir o seu cheiro e o da fauna flora Me envolver em um abraço verdadeiro toda manhã independente da aurora As bênçãos que eu recebo, eu doo  E as ofensas que eu recebo, perdoo Eu faço dessa gratidão a minha mais forte oração Fico muito feliz por quem veio, quem se foi e eu sei que muitos ainda virão Eu faço dessa gratidão a minha mais forte oração A recebo como aprendizado e a devolvo como conselhos da mais bela lição As bênçãos que eu recebo, eu doo  E as ofensas que eu recebo, perdoo

Sutileza agressiva

É por doer que necessitamos aprender a perdoar, absolver E acima de tudo, a nós mesmos por todas as nossas imperfeições Mas às vezes nós perdoamos pelo simples medo de perder E assim nós sumimos em meio a seres vazios e as suas escuridões É por observar e nos calar, que nós aprendemos a absorver É preciso seguir em frente e tirar o passado apenas como nossa lição É por raciocinar, que o coração vai ficando de lado a temer Consumidos de pânico, fracassamos ao que deveria ser determinação No meio da noite, com passos na cabeça A criança se cobriu em algo mais escuro que os seus monstros Deu ao medo, uma fé de que desapareça E se confortou na segurança de lençóis, se perdeu em encontros Foi ensinada pela covardia e pelo pavor a se encolher E hoje quando lhe mostram a luz, ela não sabe como a acolher Foi ensinada pela fraqueza e pela fobia a não escolher E hoje quando lhe mostram a luz, ela só sabe como se esconder Assim a criança com medo da escuridão, virou um adulto com medo da luz...

Largo do Paço

Observando a superfície apenas vejo que é azul e calmo Mas ao mergulhar eu posso enxergar um outro universo É tudo tão inexplorado no brilho desses seus olhos rasos O silencio pode te dizer muito entre o foco e o disperso Mas eu não quero conversar com ele, eu só queria ouvir a sua voz Sair dessa escuridão e reascender a luz que um dia existiu entre nós Você me deu asas e voei como quem descobre a liberdade Mas do mesmo jeito que deu, tirou e eu cai como se o chão não fosse chegar Você me levou às estrelas e de lá eu esqueci de toda cidade Mas me deixou lá sozinho, em um vácuo, apenas esperando o meu ar acabar Persistir ou desistir, eis um dilema Pois qual dos dois seria o maior problema? Não há fórmula mágica ou sistema Na hora certa saberá até onde vale a pena  É tudo sobre se amar, antes de tentar amar o próximo como a si mesmo Porque se você não souber o seu valor, estará somente perdendo o tempo