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Gravidade Vertical

Essas luzes no escuro não são a esperança São apenas efeitos de minhas escolhas Passageiro de indecisões, papeis e plantas De sensoe incenso que explode bolhas O vazio torna-se sentido no brilho de feixes finos Que desenham um pouco da poeira existente O vácuo e a lacuna passam pela porta sem destino É o que não mais existe, se fazendo presente Deixo a onda levar como se fosse a oferenda Deixo o perfume subir em melodias Deixo o vento me abraçar de uma forma lenta Deixo o que não é meu, em fantasias Poesias que não escrevi Poemas que me esqueci Era o vagar que cambaleava A relatividade, a gravidade em um muro sem relevo Era uma ofensa que trovejava A continuidade na finalidade, na vontade do sedento Um corredor sem fim, o limbo sem apoio Eramos nós Toda margem, toda borda e todo contorno Eramos sós A parede era um apoio àqueles que já estavam caídos E as palavras, eram ataduras vencidas aos mais feridos

Tenho acordado em suaves prestações nesses últimos dias

Um mergulho profundo no escuro, sussurros Silencio que ecoa no poço a qual eu me curo E de todas as vezes em que pensei em sumir O que me levava daqui, era já não estar aqui Percebi que nem todos querem ver além daquilo que os cegam A cada loucura, mil centelhas, fagulhas que nos cercam E normalmente, a minha intenção não é a de ser compreendido Partes saem, partes ficam e em mim, sinto-me dividido O café vencido da tarde, a garoa fina que vem pós tempestade E o cheiro de um incenso que me invade junto à saudade Eu tenho acordado cansado nesse outono com cara de inverno Chorei quando mais precisava ter sono em litígio interno A vontade não é de extinguir, Mas extremamente de existir, me corrigir Em uma vontade de submergir E intimamente me desconstruir, explodir Você já parou hoje para se perguntar qual das coisas que perdeu que mais te fazem falta? Eu tenho acordado em suaves prestações nesses últimos dias, em que nada está em pauta

Conde

Tem gente que prefere um amor para se ferir Do que estar só E tem gente que prefere pensar apenas em si Do que ter um nós E quem somos nós pra dizer o que é bom Se o arbítrio é a maldição dada como dom? Eu demorei muito para poder entender tudo isso Que não preferimos a solidão Mas as vezes ter foco maior e fazer compromisso É a prioridade em suas mãos

Terno (parte 2)

Pude sentir o calafrio E o arrepio Era interno, era externo Era o infinito Toque que se passava glacial Não era apenas até logo, não era Tchau Eramos então, estátuas de sal Cafés, reencontros e o Adeus em ritual Pude ver em prantos Quem eu nunca imaginei chorar Pude ver um espanto De quem eu nunca vi acovardar Vi a força do ser remanso Lembrei do sorriso em descanso Do vento e de seu balanço Das mão nas costas e do encanto A reunião era apenas a celebração De um vazio cheio em recordação

A Verso

Depois da tempestade criativa A bonança vem em um formato de hiato A turbulência, em solidão viva E o silencio, vem explodindo, insensato Todo potencial em qualquer gaveta De cadernos vazios Estojos empoeirados e caneta preta Doente de calafrios Mas qual remédio te acorda? E qual intermédio te ancora?

Heteromorfo

De certo, o caos contínuo E disserto contigo O discursar de quem diz cursar Algo que possa usar Mas somos usados pelo Universo Que uni versos ao ser disperso E interpreto diferente o que está fora da lente Mas inteiramente dentro dela (na mente) O que eu quero dizer Nem sempre é o que vai ouvir Talvez espero descer Ao inferno em vida, Ao sentir Ao sem ti... Mas eu não falo do amor ao ter Ou perder e sim, ao todo, ao Ser A Si!

Tinha outro Nome

O que fazer com meus pedaços E com as correntes Com o frio que sai pelos braços Ou olhar pra frente? O corpo não mais se sustenta Meus pilares se foram Onde a escuridão só aumenta Destroços desmoronam O mesmo barro da argila de um vazo O mesmo homem nas mãos de Deus O mesmo que é bom em ser fracasso O mesmo solitário em meio aos seus Quantas vezes ouvi dizer Acalme-se amigo, tudo vai dar certo Mas não é mesma coisa Quando essa saudade está bem perto Só não queria me esquecer daquela voz que se foi.. Fevereiro passou e eu não te disse nada, me perdoe