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Desperta

Observa a Lua Observa o Sol Conta histórias lindas De quem não somos E nós somos mais Quando se olha Quando se enxerga Conta histórias lindas De quem somos E nós encontramos paz Quem olha para fora sonha Quem olha para dentro desperta Costura cicatrizes, remonta Cresce e mantém a mente aberta Não que seja ruim sonhar Péssimo é não se conhecer Deixar o externo multiplicar Sem frutos para amadurecer Não que seja ruim sonhar Cada um escolhe a sua direção Mas poucos vão triunfar E são muitos os que cairão Colocar os pés no chão E encarar da realidade Planejar cada decisão Onde não há facilidade A vida real é isso Longe dos contos de fada Se não tiver um compromisso  Consigo mesmo, não terá nada Quem olha para fora sonha

Vai além do terceiro dia

São marés e controlamos apenas o remo Às vezes a vela, mas nem sempre de fato o vento A nossa força, é o que de verdade temos Poucas são as armas, mas são muitos os ferimentos Estamos de pé de novo, recriando forças Conseguimos um gás de onde não parecia existir Vamos nos renovando em hora ou outra E percebemos que somos mais que um mero fim Somos recomeços de recomeços Somos árvores que resistem a cada estação E damos frutos em renascimentos Raízes fortes na sintaxe de toda a respiração Quando posso observo o nascer do Sol Todo dia é sempre monótono, mas cheio de mudanças Uma nova chance ou um novo farol É mais que luz no fim do túnel e é mais que esperança É ressurgir, reviver e muitas vezes vai além do terceiro dia

Ondas

Socos na parede não mudam acontecimentos Apenas causarão fraturas na mão e no pulso E controlar a raiva causando mais ferimentos É algo irracional advinda de nossos impulsos Sim, nos ferimos porque nós mesmos já nos machucamos Estamos sempre socializando de uma forma teatral E para sermos aceitos, é nos sorrisos que nos disfarçamos É dizendo que está tudo bem, quando vai tudo mal Me disseram que tudo que bate, uma hora volta Não creio que seja exatamente dessa forma, acredito no movimento É como os rios fazem seus caminhos, os moldam Ou como os mares desenharam montanhas tão lindas com o tempo A vida é essa água e os erros e tentativas, são as ondas Nos moldam, criam rachaduras e deixam a parte mais forte aparente Criam uma paisagem bela, de que não mais a escondam A força da natureza é o que nós temos, setenta por cento água presente Onde vamos, também podemos moldar

Solo

Com poucos eu me encontro E por muitos eu passo Observo as peças que monto Pra ver onde me encaixo Eu imponho os meus prazos Acredito mais na lei atração do que na do acaso Não debato contra discurso raso Quando o percebo, deixo falando sozinho e vazo Sou mais do que mero reflexo Sou um mergulho fundo na alma Sou uma fúria aos perplexos Sou a calma perante aos traumas As batalhas deixaram cicatrizes Muitas e a maioria delas, ninguém vê Não são superficiais, são raízes  Que me fortalecem e me fazem crescer E de armadura, eu sei que aquilo que não me mata me deixa mais forte Mas não deixo de agradecer todo dia à Deus, o tamanho da minha sorte

Impulsivos

As composições mudaram As formas de criação E meus demônios lutaram Entre si, em vão Fui a um santuário Complexo, sem chão Me deram escapulários  Pediram oração E ponho a me deitar Tentar meditação Penso em me editar Fração por fração Sou passado presente De um futuro ausente Sou sonhos frequentes E desejos permanentes Sou a liga que me desliga Sou a libra que desequilibra Sou as novas frases antigas A criança que ainda se fascina Sou quem olha pra longe Perdendo os medos  E observo o horizonte Recriando enredos Sou apaixonado pela assimetria Que irrita os obsessivos compulsivos  Sou apaixonado pelas fantasias Dos impulsivos que fazem o impossível 

Afrodite

Ela é linda e eu sei que sou cego Me apaixonei por um sorriso triste Sei que ela vive em outro universo Na realidade da deusa Afrodite E nascidos sob a mesma constelação Os dois em Libra, mas ela simplesmente me desequilibra Pensei ser Fênix e sou cacos ao chão Pois eu ainda me perco no olhar da ninfa que me paralisa  Passaram-se quase um ano Caminhei, mudei, viajei, estudei e eu sei que cresci Refiz a vida e fiz novos planos Caminhei, mudei, viajei, estudei e ainda não esqueci Mas hoje, ainda em cacos Por doer, eu não consegui te perdoar Me sinto um bosta, fraco Tentei renascer e não consigo ressoar  Ainda parece que tem uma mão Apertando forte o meu coração A respiração está sem expressão É um olhar vazio em escuridão Se recuperar é tão inconstante A tristeza custa caro, algumas noites de sono O sorriso, antes tão abundante Hoje é algo raro, vide a solidão e o abandono Saudades de quando a vida era linda antes de te conhecer (...) Cê é louco!

Meu Deus!

A vida imita arte ou a arte a imita? Então pergunto, quem veio primeiro, a arte ou a vida? Religiosamente falando, a arte veio primeiro Deus viu um quadro escuro e pintou ele em sete dias Cientificamente falando, a vida veio primeiro E em teorias da evolução, chegamos ao que somos hoje Bom, mas a minha religião é a arte em toda sua concepção Meus Deus é esse pintor renascentista com toques abstratos Meu Deus é esse escritor dramático de histórias e reviravoltas Meu Deus é esse cantor que chora em cada timbre vocal delicioso Na minha concepção religiosa da vida, a vida imita a arte Na minha convicção de estudos e teorias, também... Meu Deus existe nela!