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Bom dia tristeza

Bom dia tristeza Vê se não me olha com essa cara Como se tivesse saído das profundezas Não me vire as costas, não saia Muitos te julgam como se fossem juízes Mas saiba que os que julgam, nunca tiveram juízo É a hipocrisia estrutural em suas raízes Numa mistura de falsos princípios e o precipício  Quem de verdade quer te ajudar Também precisa de ajuda  Mas tem quem queira te ver afundar  Portanto, não se iluda Então, de novo, bom dia tristeza Não precisa me responder de volta Só te desejo o bem, não quero que me agradeça Bom, também espero que não volte pra casa de escolta Se precisar, eu serei o que te escuta Vê se não esquece de levar a blusa Geralmente até a noite, o tempo muda E as coisas andam muito confusas Bom dia tristeza Agora pode ir e vê se não se atrasa A noite nos vemos de novo Pra ver uma das séries que você gosta

Hologramas

Tenho vários rascunhos eternos De frases não ditas e desenhos que não terminei Tenho sonhos e planos fora do caderno Folhas que não amassei, lembretes que não anotei Lembre-se de que você é mortal antes de ir para batalha De que não é invencível e que precisa voltar vivo para casa E leve uma blusa que o tempo pode mudar, nunca falha O faça o que digo e não o que faço, só mostra quem é a farsa No silêncio dos que se foram, o verdadeiro sabor da vitória Ainda é o de saber lidar com a espera Temos chances ilimitadas de dar errado em atos e oratórias E é por isso que domamos nossas feras Quando algúem importante se vai a gente chora Mas quando tivemos por perto, sorrimos? Quando estamos na pior a gente pede, a gente ora Mas quando nós temos, o que nós sentimos? É aí que você sai da zona de conforto E descobre que ela não é e nunca foi confortável Daí então, entra para zona de confronto No conflito se redescobre fora dos trilhos, mutável Paga pra não entrar numa briga Mas quando entra, não ...

Protegido

Procuro trilhar um caminho Sem rumo ou linhas retas Novos ciclos sem fim ou início Sem sombras, sem cavernas Sigo olhando as estrelas E sorrindo pra Lua Encruzilhadas tão belas Gargalhadas na rua Me sinto protegido Por meus guias, meus orixás Me sinto mais que vivo Nas batalhas, no observar Sou as linhas tortas Que alguém reescreveu Sou as minhas apostas Alguém que sobreviveu Procuro trilhar um caminho Aos meus aprendizados Seja dos novos aos antigos Da entidade ao cavalo Deixem falar o que quiser Pois eu estou em paz Peço forças e tenho fé Que de onde vem tem bem mais Me sinto protegido (...)

Uma conversa com São Jorge

Como é que se batalha pela paz? A princípio parece contraditório e sim, é Pois corremos em meio a questionamentos São renuncias, silencios e é preciso ter fé Pois caminhamos envoltos de preconceitos O que queremos mostrar nunca é o que somos É natural, estamos em desesnvolvimento e estamos crescendo O que queremos mostrar é o que ainda não somos É natural, somos a mistura de cimentos concretos de lamentos Na ansiedade queremos mostrar uma essência ainda não evoluída Porque sabemos sim, quem e o quê nós queremos ser Então estamos em direção ao nosso âmago em uma discreta corrida Pisamos em falso, caímos, levantamos, voltamos a correr Mas com o tempo colocamos a paciência em nosso temperamento Até porque é extremamente necessário Pois o tempo passa mais rápido e nós vamos ficando mais lentos Nós esquecemos dos dias, dos horários Enfim, como é que se batalha pela paz? Bom, essa é uma batalha interna meu caro É o seu coração e a sua alma tentando entrar em equilíbrio Onde só nós entendemos...

Ufanista

Quem enxerga apenas o que quer exergar Acaba entrando na bolha mais cômoda possível Idealiza e cria as suas sombras da caverna O pequeno torna-se mito e a realidade, invisível Essa é a raíz de todo o reacionarismo Ser livre dentro da própria gaiola Fatos são factoides e o voo é o abismo Distorce partes da verdade por fora Explica tudo o que pode com teorias rasas Se esconde dentro de sua casa E por baixo da máscara, não assume a farsa Pior, ainda acredita que arrasa É sério, não dá para levar a sério Vira piada de que é estéril ou que sofre adultério Mas é sério, poderia estar no cemitério Não faria e não faz falta para quem tem critério Vai dormir meu caro patrício Volte para o armário de onde nunca deveria ter saído Não é o fim e nem é o início É apenas o meio e você, a consequência do prejuízo

Siga a trilha

Para tudo se tem um sacrifício  O de ir e vir, mas principalmente o de ficar Ficamos entre vícios e exercícios  Sentimos o que foi por doer e o que é perdoar Pois só nós temos o poder de escolher O que queremos ganhar ou queremos perder Só não escolhemos a hora do anoitecer E assim entendemos o tempo ao amadurecer Agora, quem vai ou quem fica Não está no nosso controle ou em nossa posse Talvez no dom de ter carisma Mas não vai conseguir de volta com outra dose Nem esquecer, apenas sofrer mais Se o que quer é ser feliz numa taça de vinho E se é no passado que encontra paz Deve ter algo muito errado em seu caminho Porque a direção deve ser para frente, pro horizonte  Independente de Sul ou norte Nem que a ponte desmonte, dá o seu jeito, remonte Escale, pule, enfrente, suporte A velocidade em que você se levanta de cada tombo Tem a mesma proporção do quanto você é forte Às vezes paramos para respirar e entender o estrago E nessas viagens o que não é morte é passaporte Então,...

Não sei

A vontade que tenho é de jogar tudo pro alto Virar a mesa e saciar a minha fúria com a ira A sensação é a de não querer estar acordado Virar para o lado e me cobrir sem curar a birra Nós damos passos maiores que a perna nessa rotina Os olhos estão abertos e a cabeça nem está aqui Onde a saudade bate forte no vapor salgado da retina É um quarto escuro no silencio que grita sem fim E geralmente me sinto solitário em meio a multidão Mas o pior é quando me sinto só em meio aos meus O que aconteceu com aqueles que falavam de união? O que aconteceu com amor nas palavras de seu Deus? O mundo está tão maluco ou sou eu, não sei... É sério, NÃO SEI!