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Na Estrada (Sem Carona)

Vou voltar aos papéis
Aos traços que são sempre fiéis
Nas estações, o revés
Através dos convés, os quartéis

Luz de farol e sombras de cais
Em invenções e sobras do rapaz

Um conto que jazia
E um canto a soar poesia
Faz-se a sua afasia
Face de uma mente vazia

De todas as damas
Eu ganhei uma de Xadrez
Não diga que amas
Ou você a perderá de vez

Não ouvi os conselhos
Estava cego e então perdi
Eu voltava pro espelho
E você não estava mais ali

Nós que se apertam ou se desamarram
Vozes que despertaram e então voaram

Procuramos a liberdade
Em novas gaiolas enferrujadas
Encontramos a saudade
Em mais uma dose desastrada

Na estrada
O amor é cor, é sabor e calor
Na estrada
A dor é o motor a se dar valor

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