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Dezenove

Não temos um GPS aos nossos sonhos Não sabemos o melhor caminho pra chegar lá Não nascemos predestinados ou prontos Não seguimos um padrão social nem familiar Somos todos inconstantes e sem regras Somos uma nova sociedade de ovelhas negras Somos religiosos sem precisar de capelas Somos livres de apegos, mas presos à entregas Quando o silencio chega Percebemos que não temos controle das coisas Quando um de nós tenta Percebemos que dependemos de todas as outras O imperfeito cotidiano de tudo isso O vazio é algo que cresce e não pode ser preenchido O segredo é apenas usar o raciocínio O manifesto é a frustração e o fascínio pelo domínio Mas somos partes de um dominó Prestes a cair e derrubar a próxima peça Mas somos um silencio sem voz Cheios de verdades, anseios e promessas Quem se interessa? Quem se estressa? Quem se interpreta? Quem se expressa? Envolto de questionamentos, às vezes eu demoro pra dormir Desenvolvo meus pensamento e normalmente chego a sumi...

Inóspitos Morais

O atual mundo dos editados Tão perfeitos socialmente Choram em seus quadrados E nas bolhas, sorridentes O que realmente é o bom senso? Quem criou o criador? Ou quem liga para o que penso? Se importa se eu supor? Sinceridade, não vou me impor Pois odeio as verdades E sou de essência questionador Sou por inteiro, metade Precisamos ouvir as opiniões E citar as nossas Precisamos declamar sermões Ou recitar prosas Ajoelhar no grão de milho E disciplinar os cachorros Bater para educar um filho Quem é que pede socorro? A verdade do certo ou errado Vem de toda sua vivencia A fúria na moral do revoltado Faz parte das experiências Em dias que a mentira chega baseada em fatos reais Com a velocidade em que notícia voa Às vezes peço para que os astros me mandem sinais Pois está difícil acreditar nas pessoas E nós ainda julgamos, mas também somos julgados Os laços são amarrados e raramente são conjugados

Entre a Insônia e o Insano

Esquece tudo o que pensou Esquece tudo o que passou Esquece o que aconteceu Esquece e finge que nada sou Não, não dá pra esquecer Posso até continuar Vou seguir e me reerguer Mesmo a sangrar Tudo bem eu te entendo Respeito esse sentimento Espero apertar a sua mão E continuar minha oração Eu fico com minha trindade Eu, meu anjo e meu demônio De frente pra minha saudade Superando esse desconforto Jogamos os dados e andamos algumas casas Voltamos outras e qual é a linha de chegada Será que é morrer e deixar os prêmios Será que é viver cada um desses momentos? Às vezes converso a sós Como se tivesse um nós Só para deixar minha voz Entre o calmo e o feroz Eu fico com minha trindade Eu, meu anjo e meu demônio De frente pra minha saudade Superando esse desconforto

Sobre Sons

Ouço o canto do pássaro Enjaulado e sem ambição E se eu quiser libertá-lo Estarei fazendo em vão Outros pássaros pousam Ao lado de sua gaiola Observam sem entender Depois vão-se embora Ouço o som dos carros Em buzinas a transitar Mais alguns enjaulados Com medo de se atrasar Outros passam por suas janelas E também não estão livres Caminho entre prédios e favelas Coragem do cinza ao grafite E a minha esperança É de sermos abduzidos Levados como crianças Ao mundo dos sorrisos Ouço o canto dos pássaros De alguma cidade distante De um céu bem estrelado Imune ao que é incessante Independente do que aconteceu ontem Eu sou o que enfrento, sou o meu agora Sou também indiferente ao que contem Do que não vem de dentro, vem de fora O Presente acaba tendo dois significados Um é o agora e o outro a lembrança Assim como cada acorde e seu enunciado Entre um sonho e uma desesperança O som pode te cegar ou te fazer pensar Depende muito do que estás a procurar

Semoto

Por fora alguns choram e outros sorriem E eu, só preciso de um momento aqui dentro Por fora alguns erguem e outros reprimem E eu preciso de mim neste instante ao vento Observar as estrelas como se estivesse num interior Ouvir o som das coisas que deixamos de apreciar Cantar com as almas que foram a um plano superior E dançar com os espíritos que vêm me aconselhar Por fora alguns demonstram força e outros demonstram fraqueza E eu, só preciso de um momento para lastrear todos os meus sentimentos Por fora alguns demonstram auxílio e outros demonstram frieza E eu, às vezes só quero estar de fora aclimatizando meus temperamentos É difícil estar sempre bem e como eu sou muito transparente Esses dias distantes foram porque não consegui estar presente

Aquela

Não sei o que você algum dia viu em mim Não sei se o que sentimos foi real Não sei o que tive na cabeça, deixar partir Não sei, mas sei que teve um final E hoje, em meio a fumaças leves Acompanhadas de um bom vinho Tão confusas na fusão de um jazz As velhas memórias que vão vindo Escolhas foram feitas e ainda estou escolhendo Deve ser a maldição de um libriano As lições foram dadas, eu continuo aprendendo E o peito continua desequilibrando Por mais que a cabeça adore voar Os pés ainda me seguram e me prendem ao chão Por mais que pareça doce relembrar Esse passado não deixa de ser uma mera invenção E ficar preso a esse pretérito, silencia Pois o silencio nem sempre é uma boa companhia E a convivência com a solidão, distancia Então me torno detento de devaneios e fantasias Às vezes ainda quero voar Às vezes ainda quero sangrar Às vezes ainda quero Às vezes, ainda quero...

Viciei

Algum som pra se aproximar Alguém só pra se apaixonar Não trago muito, só te trago bobagem Viajei... As modulações de sua voz O timbre da sua gargalhada O sorriso bobo e um olhar de paisagem Viciei... Viciei, viajei, viciei!