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Em Guerra

São tantos a se vitimizar São tantos tentando te derrubar Dizendo que é pro seu bem São tantos e nem tem ninguém São vários jogos mentais Vitórias e derrotas substanciais E nem vale o tempo gasto Entrar em guerra com derrotado Sei que é difícil levantar a bandeira branca Quando precisou escavar a própria trincheira Sei que é difícil meditar, recitar um mantra Quando as armas apontam para a sua cabeça Mas então, o que fazer? Pedir pra um milagre acontecer?

A percepção de um por do Sol

A luz que toca o céu É a mesma que não invade muitas janelas A luz que muitos falam Não é a mesma que está em minhas velas Em minhas preces E minhas preces estão Com aqueles que eu chamo a ser luz E minhas preces estão Com o som do tambor que me conduz O que me leva não é a canção das fadas O som da estrada não é só vento O perfume do mar não é só de lágrimas E a voz da noite não é o silêncio A percepção de um por do Sol, por sua vez Eu vejo e eu acredito no amanhã Aqui da estrada ele é tão bonito em degradê Eu desenho, eu fotografo ao divã Mas tem quem não o veja E não por estar distante em fuso horário Mas tem quem não o veja Mesmo estando próximo quase do lado Apenas observa a outra direção E a outra direção não é feia, é a chegada da Lua e das estrelas Há quem escolhe sua restauração Há quem acha que tem o poder de impor o que há de ser beleza E ambos são ambos...

Eu não desistir de trilhar

Por tão pouco se perde muito E por muito pouco quase se perde tudo Às vezes prefiro fingir de mudo Apesar da esperança perdida no mundo Eu não desisti de trilhar Passar por cruzamentos e ir em encruzilhadas Ver o amarelo e acelerar Atravessar fechamentos e sumir pelas estradas Quais? Só ir... Por tão pouco se sonha muito E dependendo da queda vai bem fundo Às vezes prefiro fingir de surdo Ou bom ouvinte, mas seguir meu rumo Eu não desistir de trilhar Girar o mundo enquanto ele roda E ver um azul se apagar Comemorar mais algumas bodas Quais? Só ir... Se prender Se soltar Te entreter Te trolar Sem ofender Só sambar Sem remexer E só lançar A braba...

Robôs e Lobos

O compromisso é com anedotas Enviando os soldados pra derrota E mesmo que perca toda a frota Tem um grande arsenal de lorotas Em meio aos fiéis, partidários Parciais em seus livros de antolhos Adeptos à apenas um cenário Levados a acreditar que há um piloto Paranoia hipocondríaca existencial Entupidos de todo placebo territorial Paranoia fanática por um essencial Conservam factoides de efeito moral E a cura é que parece total loucura Mas antes voltar a trás do que à tortura E parece simples, que é só a leitura Que tá na cara, todos gestos e posturas Vamos retroceder bem mais que apenas um passo atrás Se deixarmo assim vamos continuar assim, sem ter paz

Chuva longa de Verão

A sua cabeça está igual ao seu quarto Onde nada é aquilo do que vemos Sempre está aparentemente arrumado A excelência na perfeição de si mesmo O seu peito é um grande espelho da sua casa Tem a porta fechada a tudo que tens desprezado ou rejeitado Abre as janelas, espera ter asas e sorri pro nada Sem saber que a qualquer hora seu coração pode ser roubado E a sua alma, ah a sua alma... A sua alma é semelhante aos seus cadernos velhos Anota o que acha interessante e raramente está aberto Às vezes esquecemos para o que viemos Deixamos o resto da força que não recebemos de volta Gastamos tempo e energia com o que é alheio E na firmeza, há sempre algo que explode ou se esgota Às vezes recebemos sinais no que ouvimos, no que vemos E outrora, até no que dizemos Nos recuperamos e recarregamos o vigor ao que queremos Ao que desejamos e prometemos Reeditar ou retificar Cair, ressiguinificar Repintar, reinventar E aí sim, ressuscitar Às vezes demoramos muito para acord...

Quadro clínico, parto cíclico

Tem uma hora que a gente cansa de levantar bandeira branca Tem momentos em que paramos para analisar atitudes fúteis Tem dias em que as energias são sugadas e a mente se tranca Tem noites que você sente que seu estomago levou um chute Pesadelos intensos em uma escuridão passada em claro Dos que tentam sonhar acordados durante toda a tarde Já fracos, a anemia de quem costuma despertar cansado De onde vem força ao doce amargo de quem não sabe Quando a mente está frágil às vozes internas Imagina então o quão fraca ela pode estar para as externas Somos responsáveis e precisamos ser lanternas A luz no fim do túnel ou o caminho que liberta da caverna Só que somos tanto fonte de luz quanto de escuridão Somos uma espécie de trilha sonora Somos frutos de pensamentos em silencio ou canção Somos o ontem, refletidos no agora E de certa forma incertos, insetos parasitas de afeto E de mera reforma, repletos de méritos e deméritos Temos que nos preocupar com o que dizemos aos o...

Comum

Sem palavras pra expressar o que é Sem ter travesseiros para gritar Sem espadas para impor a minha fé Sem escadas, sem chão, sem ar Tudo parece tão pequeno Tudo parece tão imenso aqui dentro Tudo aparece, quero silencio Tudo aparece, quero sumir no sereno E queria estar sereno na verdade Mas o ódio de tudo me invade E até preferia quando era saudade Mas é tudo, o cinza da cidade Eu gosto da noite e das luzes distantes Estrelas no chão que vão se apagando aos poucos E eu gosto de me sentir mero figurante Das histórias que eu crio e de o todo papo de louco Mas com o tempo eu fui parando de criar E algo foi se perdendo em meus sonhos Então me perdi no que deixei de me tornar E mesmo assim eu continuo compondo Talvez são músicas que se perderam com o tempo Sem melodias, apenas as cicatrizes e os remendos