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Naquela praça vazia que vinha o parquinho

É triste ver o tanto de coisa que nos ligam E de repente, só uma nos desconecta Os laços desamarrados que não conflitam O adeus com gosto de ânsia no nectar  A abelha operária trouxe o aroma de flores mortas Na vela que eu ascendo, mas queria ascender com você Nós não pudemos ver quando se fecharam as portas E eu não pude me despedir, pude apenas me arrepender Quase um irmão mais novo e distante Que morava na distancia de um mero horizonte Nos víamos pouco, mas era constante E sempre parecia que tínhamos nos visto ontem Sinto falta das conversas longas que eu queria ter Papo pro ar, falar de músicas, de filmes, de nostalgias e HQs Sinto falta daquelas piadas que me faziam enfurecer Então, leva um pedaço da minha alma para não me esquecer Pois são as águas de março me dando um soco no rim  Já é quase dezembro e essa tristeza parece não ter fim

Centuriões

Não quero que a verdade me liberte A realidade é inconstante E as pessoas são inconsequentes, Inocentes e até ignorantes Não quero furar a bolha E me intoxicar de outras Muitos parecem estar em outra realidade  Numa eterna batalha entre Escorpião e Órion  E mesmo vivendo na mesma que você No mesmo plano espiritual, material, corpóreo São arrogantes e se colocam a prova Em instantes, vão de Estrelas à Supernova Uma longa explosão para a inexistência Por deixarem sua fragilidade ser resistência Bom, se eu tenho pena?  Não, cada um escolhe o seu caminho Alguns escolhem morrer por sonhos  E outros, por reis mesquinhos

Aquele meu amigo

Com você em meus braços eu esqueço do tempo Às vezes, eu esqueço até de mim mesmo Com você em meus braços eu revivo nostalgias Faço planos pro futuro e componho a vida Tenho ciúmes de te emprestar, mas não sou mesquinho E ai de se você voltar com algum risquinho São os meus dedos que sempre te tocam por horas a fio É com você que surgem poesias e arrepios  Meu grande amigo, desde que eu comecei a tocar Que está comigo pra lá e pra cá Poucos vão entender a amizade do não desapegar Troco suas cordas sem pestanejar  Aquele meu amigo dos bons maus momentos Que no silêncio, tem os melhores argumentos

Cliché

Eu decidi me libertar e abrir as asas Respirar um novo lar, mas fora de casa Voar e sentir a brisa, sentir as brasas Mergulhar fundo e não em águas rasas Se até o ferro se curva ao fogo Quem sou eu para não me derreter de novo? Renascer entre um ciclo e outro A gente até se permite se reiludir aos poucos Mas quando somos ferro, tem que temperar E fazer dessa temperança, o verbo esperar Já pensei em voltar atrás, e, não é só superar Hoje não mais, é só para frente o caminhar Fantasmas são fantasmas e estão apenas mortos Passado é passado, independente dos corpos As lágrimas correm, secam e demarcam o rosto Mas as águas lavam, limpa e acorda de novo Eu tento não viver de nostalgias Cemitérios mentais Vivo como se fosse o ultimo dia Cliché, mas em paz

Meu maior abrigo

Procuro alguém que me desconstrua Mas que não me destrua Que multiplique e junto se reconstrua Parece uma eterna procura De alguém que bagunce o travesseiro E dê uma brasa leve do seu fogo Depois me ajude a arrumar o tabuleiro Em uma brisa leve do meu jogo Em polos, quero o imã Opostos, às vezes por baixo e outras por cima Em poros, minha rima Mentes, corpos, que me ensina em minha sina O que antes era apenas cisma A procura é pura, mente e cura A aura feminina em gasolina Meu combustível para loucura Nada, nem ninguém Pode acabar com os lugares pra onde fui e onde vou Nada, nem ninguém Pode desmoronar quem eu fui e quem agora eu sou Deixe ser e deixe estar Deixe ir, deixe voltar Somos gotas viajando Pelas ondas do mar Nós fazemos nossas histórias  Contamos detalhes a quem está disposto a ouvir Nós escrevemos nossas poesias  E recitamos veementes a quem se dispõe a sentir As canções tem algoritmos fora do digital Elas tocam muito mais do que notas Os refrãos são súplicas e pre...

Caça Palavras

Somos seres complexos demais E nossas historias são apenas fractais A areia na praia, uma gota do mar A estrela que brilha, o cometa que cai Somos a página de um capítulo Ou só uma linha do epílogo do livro A vírgula que não está no título Apenas um ponto do que está escrito Ou o que ainda não foi dito Exclusivamente um dos pontos da reticências  Apenas um lado do conflito Que insiste em pular as páginas em resistência Somos a palavra em seu momento hibrido Significamos bem mais do se tem visto Somos a caça horizontal, vertical sem sentido Onde muitos erram e não tem desistido Uma hora a gente acerta e completa o jogo Nós só procuramos a nossa rima Uma palavra que faça sentido, uma que combina E às vezes só olhamos pra cima Quando na verdade pode estar na próxima esquina Uma hora a gente acerta e completa o jogo

Desperta

Observa a Lua Observa o Sol Conta histórias lindas De quem não somos E nós somos mais Quando se olha Quando se enxerga Conta histórias lindas De quem somos E nós encontramos paz Quem olha para fora sonha Quem olha para dentro desperta Costura cicatrizes, remonta Cresce e mantém a mente aberta Não que seja ruim sonhar Péssimo é não se conhecer Deixar o externo multiplicar Sem frutos para amadurecer Não que seja ruim sonhar Cada um escolhe a sua direção Mas poucos vão triunfar E são muitos os que cairão Colocar os pés no chão E encarar da realidade Planejar cada decisão Onde não há facilidade A vida real é isso Longe dos contos de fada Se não tiver um compromisso  Consigo mesmo, não terá nada Quem olha para fora sonha