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Rasuras (Cadeias da Alma)

As ideias fogem e se apagam
Amassadas em folhas às sobras
E num canto escuro e paralelo
Fantasmas fazem suas manobras

A angustia toma o seu espaço
Refaz as lacunas de um passado
Os demônios vêm sem pacto
Dominar a mente do fracassado

Rasuras são maquinadas e jogadas fora
São anjos que caíram do céu e se revoltaram
E de pouca luz suas poesias de outrora
Traduzidas em poeiras que não se limparam

As facas atravessam a alma
Se diz forte e deita em lágrimas
Seu olhar longe, em plástica
Efeito que naturalmente se apaga

Os cortes cicatrizam em cura
Mais resistentes que sua armadura
O seu olhar aparenta loucura
Pois suas forças vêm da amargura

Seu peito recebe a nova postura
Em grito ensurdecedor de bravura
Deixa pra trás toda sua brandura
Não sei se ele ainda tem a ternura

Pois agora é outra criatura
Sem ter medo de novas aventuras
Suas armas fazem trituras
Em sua defesa um muro se figura

E na mente, o medo não se mistura
Escudos de forte espessura
De grande resguardo e sem abertura
Não é só pose, é estatura

Imóveis agora são os seus inimigos
Que sentem em sua chegada, perigo

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