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Apólogos de um Vagamundo

Não sou telepata
Não entendo a mente humana
Muito menos a minha

Não sou acrobata
Não me equilibro muito bem
Muito menos na guia

Não uso gravata
Não me arrumo muito pra sair
E tenho péssima caligrafia

E eu não sou entusiasta
Nem pirata ou cineasta condecorado
Sou soldado de tropa vencida

Espero que algum dia Zeus jogue o seu trovão
Acerte meu peito refletindo em meus braços abertos
Que meus olhos brilhem mais do que escuridão
De sorriso maquiavélico, que possa ser mais honesto

Um sarcasmo de Fausto, apócrifos e sintéticos
Enganando Deus e o Demônio em formato poético
Em meio à escravidão mental do que é patético
Me sinto cético, mas me prendo à mitos esotéricos

Jogo as lascas, jogo os fardos
Garimpo relíquias de brechó ou bazar
Jogo as cartas, jogos os dardos
Lanço a sorte e não quero receber azar

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