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Aquele meu amigo

Com você em meus braços eu esqueço do tempo Às vezes, eu esqueço até de mim mesmo Com você em meus braços eu revivo nostalgias Faço planos pro futuro e componho a vida Tenho ciúmes de te emprestar, mas não sou mesquinho E ai de se você voltar com algum risquinho São os meus dedos que sempre te tocam por horas a fio É com você que surgem poesias e arrepios  Meu grande amigo, desde que eu comecei a tocar Que está comigo pra lá e pra cá Poucos vão entender a amizade do não desapegar Troco suas cordas sem pestanejar  Aquele meu amigo dos bons maus momentos Que no silêncio, tem os melhores argumentos

Cliché

Eu decidi me libertar e abrir as asas Respirar um novo lar, mas fora de casa Voar e sentir a brisa, sentir as brasas Mergulhar fundo e não em águas rasas Se até o ferro se curva ao fogo Quem sou eu para não me derreter de novo? Renascer entre um ciclo e outro A gente até se permite se reiludir aos poucos Mas quando somos ferro, tem que temperar E fazer dessa temperança, o verbo esperar Já pensei em voltar atrás, e, não é só superar Hoje não mais, é só para frente o caminhar Fantasmas são fantasmas e estão apenas mortos Passado é passado, independente dos corpos As lágrimas correm, secam e demarcam o rosto Mas as águas lavam, limpa e acorda de novo Eu tento não viver de nostalgias Cemitérios mentais Vivo como se fosse o ultimo dia Cliché, mas em paz

Meu maior abrigo

Procuro alguém que me desconstrua Mas que não me destrua Que multiplique e junto se reconstrua Parece uma eterna procura De alguém que bagunce o travesseiro E dê uma brasa leve do seu fogo Depois me ajude a arrumar o tabuleiro Em uma brisa leve do meu jogo Em polos, quero o imã Opostos, às vezes por baixo e outras por cima Em poros, minha rima Mentes, corpos, que me ensina em minha sina O que antes era apenas cisma A procura é pura, mente e cura A aura feminina em gasolina Meu combustível para loucura Nada, nem ninguém Pode acabar com os lugares pra onde fui e onde vou Nada, nem ninguém Pode desmoronar quem eu fui e quem agora eu sou Deixe ser e deixe estar Deixe ir, deixe voltar Somos gotas viajando Pelas ondas do mar Nós fazemos nossas histórias  Contamos detalhes a quem está disposto a ouvir Nós escrevemos nossas poesias  E recitamos veementes a quem se dispõe a sentir As canções tem algoritmos fora do digital Elas tocam muito mais do que notas Os refrãos são súplicas e pre...

Caça Palavras

Somos seres complexos demais E nossas historias são apenas fractais A areia na praia, uma gota do mar A estrela que brilha, o cometa que cai Somos a página de um capítulo Ou só uma linha do epílogo do livro A vírgula que não está no título Apenas um ponto do que está escrito Ou o que ainda não foi dito Exclusivamente um dos pontos da reticências  Apenas um lado do conflito Que insiste em pular as páginas em resistência Somos a palavra em seu momento hibrido Significamos bem mais do se tem visto Somos a caça horizontal, vertical sem sentido Onde muitos erram e não tem desistido Uma hora a gente acerta e completa o jogo Nós só procuramos a nossa rima Uma palavra que faça sentido, uma que combina E às vezes só olhamos pra cima Quando na verdade pode estar na próxima esquina Uma hora a gente acerta e completa o jogo

Desperta

Observa a Lua Observa o Sol Conta histórias lindas De quem não somos E nós somos mais Quando se olha Quando se enxerga Conta histórias lindas De quem somos E nós encontramos paz Quem olha para fora sonha Quem olha para dentro desperta Costura cicatrizes, remonta Cresce e mantém a mente aberta Não que seja ruim sonhar Péssimo é não se conhecer Deixar o externo multiplicar Sem frutos para amadurecer Não que seja ruim sonhar Cada um escolhe a sua direção Mas poucos vão triunfar E são muitos os que cairão Colocar os pés no chão E encarar da realidade Planejar cada decisão Onde não há facilidade A vida real é isso Longe dos contos de fada Se não tiver um compromisso  Consigo mesmo, não terá nada Quem olha para fora sonha

Vai além do terceiro dia

São marés e controlamos apenas o remo Às vezes a vela, mas nem sempre de fato o vento A nossa força, é o que de verdade temos Poucas são as armas, mas são muitos os ferimentos Estamos de pé de novo, recriando forças Conseguimos um gás de onde não parecia existir Vamos nos renovando em hora ou outra E percebemos que somos mais que um mero fim Somos recomeços de recomeços Somos árvores que resistem a cada estação E damos frutos em renascimentos Raízes fortes na sintaxe de toda a respiração Quando posso observo o nascer do Sol Todo dia é sempre monótono, mas cheio de mudanças Uma nova chance ou um novo farol É mais que luz no fim do túnel e é mais que esperança É ressurgir, reviver e muitas vezes vai além do terceiro dia

Ondas

Socos na parede não mudam acontecimentos Apenas causarão fraturas na mão e no pulso E controlar a raiva causando mais ferimentos É algo irracional advinda de nossos impulsos Sim, nos ferimos porque nós mesmos já nos machucamos Estamos sempre socializando de uma forma teatral E para sermos aceitos, é nos sorrisos que nos disfarçamos É dizendo que está tudo bem, quando vai tudo mal Me disseram que tudo que bate, uma hora volta Não creio que seja exatamente dessa forma, acredito no movimento É como os rios fazem seus caminhos, os moldam Ou como os mares desenharam montanhas tão lindas com o tempo A vida é essa água e os erros e tentativas, são as ondas Nos moldam, criam rachaduras e deixam a parte mais forte aparente Criam uma paisagem bela, de que não mais a escondam A força da natureza é o que nós temos, setenta por cento água presente Onde vamos, também podemos moldar