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Teatro do Aleatório

Gatuno, um ser de hábito noturno
Às vezes de bota, às vezes coturno
E quanto tempo ficar aqui,
Esperando a hora passar?
Quanto tempo fingindo sorrir,
Esperando a pessoa certa chegar?
Águias sobrevoando, águias caçando
Águias sobrevivendo, águias saboreando

E quanto tempo sonhar e esperar o desejo se realizar?
As estrelas apenas caem e sozinhas não podem caminhar

Cães sorridentes, fiéis ao dono que não joga a bola
Cães atrás de carteiros, motos e de quem pede esmola
E quanto tempo ficar aqui,
Esperando a hora passar?
Quanto tempo fingindo sorrir,
Esperando a pessoa certa chegar?
Cães que rasgam sofás, chinelos tapetes e sacolas
Cães, melhores amigos que rapidamente vão se embora

Passa por aqui o gato de botas tortas
Aquele com o que nada se importa
Passa também a águia voadora e caçadora
Mirando entre uma vítima e outra

Logo depois um cão sem abrigo
Na rua a correr perigo, sem sair em qualquer artigo
Logo depois outro sem amigos
De certa forma de castigo, não contigo, nem comigo

A mente atrapalha os desejos de seu peito
Que em segredo tem medo de seguir um novo enredo

Uma lista cheia de relatórios
Documento bem elaborado e notório
Escondido em algum empório
Ou num desses teatros aleatórios

Ninguém passa por esse estabelecimento
Ninguém pra dividir e obter conhecimento
Grita o homem com muito fervor ao vento
E para as meras rachaduras no cimento...

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