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Indolore

Sem essa de que nada se cria
E tudo se copia
Há sempre uma nova poesia
Uma nova teoria

Gosto de servir de inspiração
Muitas vezes não, pois me causa agonia
Gosto de soar a minha canção
Menos em vão à esses olhares de ironia

Pode não ser sabedoria, nem tão pouco porcaria
E em analogias
Não vou transformar a melancolia em mercadoria
Sem categoria

Vá pra rua e crie algo novo
Pare de se inspirar nos outros
Seja santo ou seja monstro
Seja você, em seu reencontro

Roube do momento e talvez de mim
Enfim, eu também comecei assim
Mas tenho medo que você crie o fim
De estopim em festim, no jardim

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