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(U)Tópicos

Roubaram a inocência de Adão
E foi lhe oferecida a escravidão

A poesia do nascer e pôr do sol foi perdida por muitos
Que dormem e acordam no mesmo horário de bilhões
As belezas da natureza se tornaram tédio em conjunto
E as músicas de hoje, usam aqueles mesmos refrões

Fingimos não ver o fogo e os colchões sob as pontes
Ou o homem que anda descalço no frio
O tempo que sobra para observar o imenso horizonte
É o tempo que se transforma em vazio

Canso de dizer que estamos aqui só de passagem
Mas nos cobram pedágios para fazer esta viagem

Um aglomerado de fúria em frustrações
Apenas assisto o tamanho da queda livre
O escuro dos olhares e suas extensões
Onde lamento no fundo da alma sublime

Nos vendem uma felicidade que não existe
Sugam nossa fé, que é a única coisa que nos faz seguir
Nos dão direções onde só máquinas resistem
Pagamos um preço muito alto pela mentira que é existir

Roubaram a inocência do cidadão
Mas ele trabalha e pode comprar outra outro dia
Mesmo com o bolso sem um tustão
Ele é forte em meio a toda destruição e correria

Nós estamos sempre agradecendo pelo que temos
Mas nós pedimos pelo que achamos que queremos

Não é só sobre quem você abraçou hoje
Mas quem te abraçou com uma mesma intensidade
Não é só sobre quem te sorriu de manhã
Mas quem dividiu e multiplicou brilho em veracidade

Em uma sociedade cheia de caridade e divindade
Não queira mentiras, mas queira algo de verdade...

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Textos Egoístas

Tenho textos em gavetas
Alguns sem começo
Outros sem meio ou fim

Tenho textos amassados
Que não joguei no lixo
E ainda guardo pra mim

Tenho textos que não escrevi
Que somem com o tempo
Em travesseiros e lençóis de cetim

Tenho textos só meus
Que não divido com ninguém
Num quarto escuro, mas enfim...

Não me importo!

Liberdade Abraço

Nossa liberdade é cantada e feliz
É o adeus de quem quer ir
É o orgulho de dizer - Eu que fiz
É respirar pra tudo e sorrir

A liberdade é saber que há o bem e o mal
Que todo formato diferenciado é mais que igual
Que a realidade do próximo é teu surreal
Que é tudo tão assimétrico, mas nada é acidental

A liberdade é aquilo que você acredita ser o melhor
Mas também pode ser abrir os olhos e ver o que há de pior
A liberdade é entender toda a beleza que há no suor
As curvas que ela faz em sua vastidão ou em seu pormenor

Posso falar de tantos sinônimos que chegarão ao que acredito ser liberdade
Mas adoro ouvir seus antônimos onde nos abraçamos e matamos a saudade

A Liberdade em um Abraço
Me faz lembrar o quão forte é esse laço
Mesmo longe em cada passo
O quão forte me desmorono, me desfaço

Em total recuperação...

Corvos e Corujas

O som das garças e da lagoa
Dos galhos ao vento que ressoa
O som das vozes vem e ecoa
E do passo, que na grama entoa

Sou meus delírios e deixo minha nave seguir
Sem gravidade, apenas o vácuo e sua escuridão
Sou o meu colírio e me desequilibro ao sorrir
Refletido em sombras, concretos e a imensidão

Sou pequena parte de quem nem passou por aqui
Mas deixou suas palavras serem como rios
Fluviais que correm como se não tivessem o fim
Mas cortam as pedras de um coração febril

Sou um labrador com a cara pra fora da janela
Corro atrás de bolas e bicicletas
Destruo os seus chinelos, bebo água das vielas
E observo as suas saídas secretas

Sou todas as vidas por onde andei
Sou cada rabisco que desenhei
Sou todas as canções que eu cantei
E sou os devaneios que sonhei

Nessa noite, ao som de corvos e corujas
Onde o silencio limpa e desenferruja
No espaço vazio, a nossa alma mergulha
Onde podemos lavar toda roupa suja

Simples assim, com um olhar
Simples assim, com um sonar