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E eu (Libriano nato)

Obrigado vida Por toda loucura imposta Obrigado vida Por todos jogos e apostas Pode ser que quem impõe toda sua verdade Esteja de certo modo, vivendo alguma mentira Pode ser que todo esse medo da intensidade Venha de derrotas, de quedas, mas o jogo vira E eu estou de volta à ativa, de volta à pista Bem melhor do que ficar remoendo paixões antigas Transformando em cicatriz todas as feridas No recomeço da partida, onde acontecer foi a saída E eu que nunca voltei atrás na palavra tive a minha primeira vez Assumi que preciso de você E eu que de tanto orgulho em minha lua, libriano nato do talvez Entendi que preciso de você

Abalo sísmico

O nós na garganta agora transita entre o meu peito e meus pensamentos É que de tempos em tempos eu desabo em meus desabafos mentais E o pior é que eu nem sei se sou uma boa pessoa para me dar conselhos Me disfarço em passos dados e a respiração aparentemente em paz Mas eu me deito junto a demência emocional, como se fosse a primeira vez Como se nunca tivesse aprendido e tudo fosse um imenso ciclo obrigatório a ser repetido Percebo que a inteligência fica para uma visão mais externa, cheia de solidez Só que na real é a mais pura palidez, no claro, sentada de frente a uma janela, sem sentido Passam os dias e eu apenas busco a salvação desta angustia calada O olhar avoado, as mãos soltas como se tivesse recebendo soro em um consultório Passam nuvens e passam estrelas no reflexo de uma tela desligada O coração apertado, a coluna levemente torta de sentimento apático, pouco notório É essa confusão de saber que preciso de ajuda, mas espero que ninguém me note É como se fosse ...

Quarto Escuro

Calado, mas totalmente focado em nada O olhar distante e completamente perdido E eu nem queria sair da cama, da coberta Virei pro lado algumas vezes já desiludido Mas foi de bruços que eu encontrei o torcicolo E minha mente estava tão cheia que não me deixava descansar Procurei o que fazer e não tinha, era monótono Mas é claro, às três da madrugada talvez seja a hora de sonhar Então apaguei as luzes à espera da melatonina É... mas a busca pela reciprocidade não desaparecia Os olhos abriam mais no escuro, era melancolia Talvez eu espere demais de quem nem é companhia Mas não desisto e quando desistem, eu fico aqui Remoendo, revendo passos, relendo mensagens e revirando gavetas Procurando saber onde errei, o que fiz e não fiz É meio que vazio, uma lacuna insuportável e totalmente turbulenta Abraço os joelhos e me encolho Me recolho em preces para que o sono venha A cama gira como um Universo Cheio de grades e algemas... Sem almas, apenas um quarto escuro!

Simples aconchego

Era tão simples andar Era tão simples sorrir Era tão simples lutar Era tão simples seguir Em meio a tanta simplicidade Eu encontrei a turbulência Chuvas, cortes, dificuldades E a mais forte seca Em meio a tanta intensidade Eu procurei minha resistência Ao longe, as luzes da cidade Num quadro sem estrelas Em meio a tanta felicidade Eu resetei minha carência Somei defeitos e qualidades Perdi a paciência E em meio a tanto nada Era tão simples tudo Em meio a tantas palavras Eu me fiz de surdo E quanto mais o tempo passa, eu acolho a certeza E quanto mais a carne falha, eu hospedo a profundeza E quanto mais o ar me falta, fica claro a correnteza Enquanto a melancolia cala, eu superestimo toda frieza (...) Eu sou a simples saída de quem não quer mais estar aqui De quem não quer mais sofrer, não quer mais sentir (...) Não quer mais sentir!

Espertino cansaço, vespertino embaraço

Aos poucos vamos dando adeus a nossa essência Vamos deixando de lado a inocência Onde a convivência com o Universo traz carência No que adquirimos com a experiência Seres de ansiedade e pouca paciência Um convívio distante, mas tão próximo em abstinência Que para viver precisam de resistência E para acreditar não precisam comprovação ou ciência Criam o bom e o mau com veemência E tratam como tratariam anjos e demônios em demência Se abastecem de repúdios e preferências Isso com a mera aparência, raramente com a convivência Reles mortais em decadência Não percebem o tempo se esgotando em obediência E todo adeus não teve suficiência O seu Deus não perdoará sua petulância e insolência Os trovões de uma chuva em providência Alagam as ruas em lágrimas cheias de consistência Mas a Terra se acalma em breve sonolência Nada do que você fez valeu a pena ter tal excelência Acorde desse seu pesadelo de frequências Ou descanse como reverência E apesar da insônia, prove a ...

Semideuses

Quando agradecer por mais um dia ou por estar vivo? O eu contra si mesmo é sua derrota em definitivo Onde está o lado positivo de um pensamento negativo? Seu sonho contra os pés no chão ao que é relativo Não faz sentido, eu não quero ser responsável por aquilo que cativo Sei que para ambos ser objetivo é ser opressivo e às vezes somos isso Tento ser compreensivo entre o que é substantivo e o que é subjetivo E tento decodificar, pois nós somos sucessivos e raramente sensitivos Na evolução dos ciclos que são repetidos A dor é multiplicada em gritos reprimidos No quarto interno de espelhos reflexivos Os nossos quadros que não são revertidos São raros momentos de felicidade ou os dias divertidos São raros os que se encontram, são muitos os perdidos No peso de uma mensagem leve, que leva o destemido Traz a calma em um tom aparentemente agressivo, mas inofensivo Todos os erros são corrigidos e todo perdão concebido Em uma oração, a sua energia que é liberada de modo comp...

Meu anjo, a vida passa num segundo

Já pensou em dizer aos outros tudo o que queria ouvir? Entre o raso e o alvo, um disfarce de mero razoável Ou o porque o karma te trouxe o que não queria sentir? Entre apavorados e bravos, abaixo do zero agradável E o que é pior, você já teve essa sabedoria antes Talvez na inocência do medo, desbravar o desconhecido E se a mera coragem tenha te tornado arrogante Talvez na irreverência, o segredo do sarcasmo oferecido Tudo o que vai, volta ou é anulado Mas o golpe que você deseja devolver precisa ser sacramentado E assim cicatrizado ou até enterrado Pois sei que é difícil não devolver quando vem de todos os lados Vivemos em uma sociedade de solitários Dos que sorriem para não serem os contrariados Vivemos em uma empresa de estagiários Em que está nas redes, a força dos acovardados Além disso tudo, que já é muito confuso Vivemos no dilema da demência deveras paixões Onde damas e cavalheiros só tem escudos Por razões de vários arrastões, vulgo - Turbilhões E... O ...