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Comum

Sem palavras pra expressar o que é Sem ter travesseiros para gritar Sem espadas para impor a minha fé Sem escadas, sem chão, sem ar Tudo parece tão pequeno Tudo parece tão imenso aqui dentro Tudo aparece, quero silencio Tudo aparece, quero sumir no sereno E queria estar sereno na verdade Mas o ódio de tudo me invade E até preferia quando era saudade Mas é tudo, o cinza da cidade Eu gosto da noite e das luzes distantes Estrelas no chão que vão se apagando aos poucos E eu gosto de me sentir mero figurante Das histórias que eu crio e de o todo papo de louco Mas com o tempo eu fui parando de criar E algo foi se perdendo em meus sonhos Então me perdi no que deixei de me tornar E mesmo assim eu continuo compondo Talvez são músicas que se perderam com o tempo Sem melodias, apenas as cicatrizes e os remendos

Luthier

Reafina e desempena Reconstrói, alinha e arruma Troca o que não presta Limpa os detalhe e reajusta Reafirma o que foi belo Embeleza o que não tinha mais valor Desempoeira o singelo Empodera no desflagelo do se impor As notas em seu timbre Os tons em seu selo Deixa de ser o simples Recebe o aconchego Mais zelo ao velho Mais belo do que o novo Mais apelo e afeto Mais tudo do que o todo Mas meu tudo Que foi renovado por um luthier Interno, fundo Externo o som com louvor, prazer E é nessas horas Que a minha poesia se renova Dessimetria, bordas Em curvas certas e retas tortas Minha voz nem mais se importa E apenas deixa a minha toada exposta Em mil perguntas sem respostas E uma vitória que veio de mil derrotas A madeira de tão lustrada, parece até mais verde agora Mas é veterana, não decrepita ou antiquada, é a Aurora

Abstrato em degradês de Cinza

Já foi quase morte como se a gente não tivesse vivido ou nem tivesse nascido Já foi pior, mas a gente reclama como se nunca tivesse aprendido Já foi sofrido e muitas vezes eu estive arrependido ou imerso em puro declinio E até o suicidio já foi nutrido no momento que me senti excluído Mas hoje vejo que a beleza é nada mais do que míope Tudo parece perfeito e tudo parece bem simples de longe Sei que todo sorriso tem seu preço, tem o seu requinte Em penalidade de alto custo a quem resiste ou se esconde Nós tememos a morte e até a sorte que temos E por isso nós sofremos, por isso nós nos arrependemos Mas é só com o tempo que vamos aprendendo Que é sempre mais de mesmo, é sempre um dia a menos É saber dar valor É fazer, dar sabor É caber no favor É trazer, ser calor É só observar a nossa volta para perceber que a realidade é cruel Que tem gente que está mais na merda do que você ou eu Não consigo acreditar na tal Palavra, eu nem sei se existe um céu Não consigo enten...

E eu (Libriano nato)

Obrigado vida Por toda loucura imposta Obrigado vida Por todos jogos e apostas Pode ser que quem impõe toda sua verdade Esteja de certo modo, vivendo alguma mentira Pode ser que todo esse medo da intensidade Venha de derrotas, de quedas, mas o jogo vira E eu estou de volta à ativa, de volta à pista Bem melhor do que ficar remoendo paixões antigas Transformando em cicatriz todas as feridas No recomeço da partida, onde acontecer foi a saída E eu que nunca voltei atrás na palavra tive a minha primeira vez Assumi que preciso de você E eu que de tanto orgulho em minha lua, libriano nato do talvez Entendi que preciso de você

Abalo sísmico

O nós na garganta agora transita entre o meu peito e meus pensamentos É que de tempos em tempos eu desabo em meus desabafos mentais E o pior é que eu nem sei se sou uma boa pessoa para me dar conselhos Me disfarço em passos dados e a respiração aparentemente em paz Mas eu me deito junto a demência emocional, como se fosse a primeira vez Como se nunca tivesse aprendido e tudo fosse um imenso ciclo obrigatório a ser repetido Percebo que a inteligência fica para uma visão mais externa, cheia de solidez Só que na real é a mais pura palidez, no claro, sentada de frente a uma janela, sem sentido Passam os dias e eu apenas busco a salvação desta angustia calada O olhar avoado, as mãos soltas como se tivesse recebendo soro em um consultório Passam nuvens e passam estrelas no reflexo de uma tela desligada O coração apertado, a coluna levemente torta de sentimento apático, pouco notório É essa confusão de saber que preciso de ajuda, mas espero que ninguém me note É como se fosse ...

Quarto Escuro

Calado, mas totalmente focado em nada O olhar distante e completamente perdido E eu nem queria sair da cama, da coberta Virei pro lado algumas vezes já desiludido Mas foi de bruços que eu encontrei o torcicolo E minha mente estava tão cheia que não me deixava descansar Procurei o que fazer e não tinha, era monótono Mas é claro, às três da madrugada talvez seja a hora de sonhar Então apaguei as luzes à espera da melatonina É... mas a busca pela reciprocidade não desaparecia Os olhos abriam mais no escuro, era melancolia Talvez eu espere demais de quem nem é companhia Mas não desisto e quando desistem, eu fico aqui Remoendo, revendo passos, relendo mensagens e revirando gavetas Procurando saber onde errei, o que fiz e não fiz É meio que vazio, uma lacuna insuportável e totalmente turbulenta Abraço os joelhos e me encolho Me recolho em preces para que o sono venha A cama gira como um Universo Cheio de grades e algemas... Sem almas, apenas um quarto escuro!

Simples aconchego

Era tão simples andar Era tão simples sorrir Era tão simples lutar Era tão simples seguir Em meio a tanta simplicidade Eu encontrei a turbulência Chuvas, cortes, dificuldades E a mais forte seca Em meio a tanta intensidade Eu procurei minha resistência Ao longe, as luzes da cidade Num quadro sem estrelas Em meio a tanta felicidade Eu resetei minha carência Somei defeitos e qualidades Perdi a paciência E em meio a tanto nada Era tão simples tudo Em meio a tantas palavras Eu me fiz de surdo E quanto mais o tempo passa, eu acolho a certeza E quanto mais a carne falha, eu hospedo a profundeza E quanto mais o ar me falta, fica claro a correnteza Enquanto a melancolia cala, eu superestimo toda frieza (...) Eu sou a simples saída de quem não quer mais estar aqui De quem não quer mais sofrer, não quer mais sentir (...) Não quer mais sentir!