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Eterna Metamorfose (parte 2)

A caminhada é feita de passos e de tropeços Escolhas e consequências, erros e acertos A caminhada é feita de términos e recomeços Presente e passado, novidades e desapegos Só é futuro quando você já se sabe o que quer São desejos profundos de quem em sua essência você é Quando navega e não se deixa levar pela maré Controla o vento, entende a tempestade e mantém a fé É bem mais fácil chegar a algum lugar estando decidido Pois não deseja ser, você é  Evolui, se aperfeiçoa, requinta e aprimora seus sentidos Pois não deseja ser, você é  Disposto a uma metamorfose diária, voa Renasce das próprias cinzas Atravessa barreiras, se equaliza e ressoa Não apenas ilumina, brilha Mas só você sabe a dor que é de passar por esse estágio De sempre se levantar quando é mais fácil ficar deitado

Pôr do Sol

Me sinto frágil a ponto de partir Mas não prestes a me repartir Nem dividir para tentar te suprir Pois não sou muito de sorrir Eu não sou de usar máscaras Sou de deixar os meus personagens, livros Seja introspectivo ou de farras Sou quem quero ser e ao morro, sobrevivo Sou de refletir e de reparar Significo muito mais do que o meu sonhar E no caminhar ao observar Busco a hora de cantar e a hora de me calar Sou presa fácil querendo romance Sou estrelas florescentes no teto ao alcance Sou peça enferrujada no desmanche Sou imortal em busca de mais uma chance De novo, me sinto frágil a ponto de partir Sei que fui ferido, mas também feri E eu, estou sempre disposto a reconstruir As coisas se encaixam se deixar fluir Eu não sou de usar máscaras Sou de deixar os meus personagens livres Seja introspectivo ou de farras Sou eu quem morre, sou eu quem sobrevive Sou de refletir e de reparar Significo muito mais do que o meu sonhar E no caminhar ao observar Busco a hora de cantar e a hora de me cal...

Eterna Metamorfose

Quando algo não lhe cabe mais Fica desconfortável Se você veste, parece que não sai Reflete o desfavorável É mais difícil pra sair do que entrar Você até se esforça Se contorce todo até a peça se rasgar E só assim, joga fora O tempo passa rápido e os dias também Algumas pessoas se vão e logo a gente pode ser levado Talvez para nos encontrarmos no além Mas sei lá, não tenho certeza do que está do outro lado Tem tanta coisa para se desapegar E as lembranças boas ficam fotografadas Mesmo que elas nos façam chorar É como cutucar uma cicatriz aberta na alma A gente retorna várias vezes até não mais ceder  Abraçamos quem não nos abraça mais Quem nunca mais veremos ou não podemos ver De olhos fechados, a sensação é de paz Mas a nostalgia pode ser um caminho sem volta Então, não se deixe levar Pois as trilhas precisam ser percorridas em rotas Sem inércia, sem estacionar Ao parar, se encontrará perdido A floresta se tornará pântano Lamas do que não foi resolvido Chamas que vão se apagando P...

(A)Pesar

A dependência é um ato tóxico Assim como a solidão também é e bem lá no fundo É preciso se dosar, reequilibrar E entender a culpa de seus atos solos e em conjunto Você soma ou subtrai, você divide ou multiplica? Podemos até perguntar, mas nem sempre se explica Normalmente tudo se complica e pouca coisa fica A loucura se intensifica e nossa sanidade se esquiva Contamos mentiras para nós mesmos Porque é cômodo demais se tornar um grande herói da própria história E assim fica fácil fazer o vilão ir preso Pois tudo que o outro faz ou fez, vai contra o que pensamos em retórica Na sua mente e na sua concepção de Universo, é errado Mas existe mais de um lado da percepção sobre os fatos Normalmente para quem vê de fora é tudo muito simples Por isso entramos em catarse eufórica aos dramas Sabemos para onde o personagem deve ir, onde é o limite Mas quando é sobre nós, não há um real panorama Só obstáculos, porque sentir na pele é bem mais complicado E sem cálculos, onde a empatia se torna uma pa...

Cantigas de ninar dissonantes

Dentro de um condomínio não se enxerga a desigualdade externa Sentindo o ar condicionado não se percebe o calor do fim dos tempos Na busca pela luz onde muitos preferem se aprisionar na caverna Poucos abrem os braços para sentir a chuva, a tempestade e os ventos Só entende a luta quem sobe no ringue, independente da batalha Pode demorar, tudo se recupera, mas nem tudo tem saída Então não menospreze aquele que a única opção é usar a navalha Os riscos de quem tem pouco a perder e o pouco é a vida Essa disparidade só vê aquele que está do lado ou que já passou por isso Tem familiares levados por essa guerra daqueles que já nascem pra perder E quando vence tem que ficar provando diariamente como compromisso A luta não acaba pra quem nasceu fora dessa falsa meritocracia do vencer O progresso não virá como nos contos de fada Nem tudo é tão belo quanto você acha, criança mimada De dentro do castelo é simples de se dar risadas Mas se tivesse na nossa pele, seria mais uma fracassada 

Morpheus e Metamorfoses

O que está por trás dos portais Não é nada mais do que a insegurança  É a nossa falta de fé, nossa falta de esperança  O que temos em nosso passado  É a nostálgica saudade do que não se vive Mas que em fotografias insiste, ainda sobrevive O que temos de nosso futuro, eu temo E não é nada menos do que a insegurança É mais do que o medo, é a incerteza nas mudanças  Pois de metamorfose em metamorfose  Trilhamos um caminho de volta a nossa essência  Queremos ser quem já somos em reticências  Infinitas possibilidades de revoltar, se revoltar E ressignificar tudo aquilo que parece fúria  É o incômodo para sair desse cômodo de loucuras  Muitas vezes introspectivo ao que reativo Observo antes, para não ser o intrometido  Então me aproximo, faço contato com os nativos E aí sim visto a máscara social do extrovertido  Desinibido, acessível, amigável e comunicativo Ainda assim com um dos pés para fora desses ciclos Eu ainda não confio muito hum...

Vamos fazer uma nova?

No silencio dos olhares, uma frase que faltou Se se arrepende ou não, não me importo com o que restou E o que restou são cacos incoláveis para alma É como um quebra cabeça de mil peças, cascas e traumas  Me reconstruí bem torto, espalhado ao chão Ainda tento me ajeitar, mas me parece em vão Se levantar, se reerguer e sem ter onde pisar Sem ter onde se encostar, ou, apenas se apoiar Vamos fazer uma nova história Uma nova trilha Sem oferecimentos, dedicatórias Uma nova armadilha Vamos tomar uma nova direção Cada um pro seu lado Ritos de passagens ao coração O passado é aprendizado Como um pássaro livre, eu pousei em seus galhos Cantei para as suas raízes e voltei ao céu vasto Como um peixe de água salgada, não sei ir ao raso Conheci os sete mares e não entro em aquários Se aprendeu algo aqui ou não, eu não me importo Pois eu aprendi a ser livre e para jaulas, não volto