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Dilê

Podem falar o que quiser Eu tenho a arte da refuta Mas eu não gasto com quem não escuta Me ponho no meu lugar de fé De boa firmeza e conduta Pois é todo dia uma nova luta Eu estou aqui para dizer Que a vida é muito curta E que você não me assusta Quem anda comigo é Dilê Sarvá meus Pais, meus Ancestrais  Que me protegem do sofrer E me guiam no caminho pela paz Podem falar o que quiser Mas se me colocar na disputa Se prepare pr'uma retórica astuta Me ponho no meu lugar de fé E se essa calmaria te frustra De meditação e respiração robusta Eu estou aqui para dizer Que a vida é muito curta E que você não me assusta (...) Mar calmo não faz bons marinheiros, eu sei Pois por onde eu ando é bem turbulento É frio e sombrio, missão que raros irão escolher Mas fazer o que? Eu disse que - Aguento!

Caboclo da Selva de Pedra

Geralamente sou um esperançoso realista E às vezes, um pessimista sonhador Meu comportamento é catastrófico e sofista E de retórica em retórica, o bom humor Uso do sarcasmo com o meu próprio tropeço Dou risadas daquilo que me machuca E não que isso mascare a dor ou me faça cego Mas aprendo quando alguém empurra Principalmente quando vem e me derruba Porque sei que o mundo não para E já aprendi a me levantar, a vida continua Falem pelas costas ou na sua cara Fazer o mal, não te torna melhor que o outro Até para ser sincero, é preciso de alguns filtros Não será herói fazendo do adversário, monstro Afinal, é você quem cria seus próprios inimigos E de traumas amigo, o mundo tá cheio Vai se tratar, se você ainda não sabe para o que veio Isso se quiser entender os seus receios Saiba que até para acelerar é preciso ter bons freios Então para, respira, senta e observa Isso tudo ao seu redor é uma floresta É preciso se adaptar, sobreviver a ela Concentre-se e ouça o som da flecha 

O Verbo

Você nunca vai aprender o que acha que já sabe E olha, tem sempre algo novo para explorar Você nunca vai entender nem um terço da metade Porque é preciso investigar e se aprofundar A verdade que você conhece hoje, é apenas a sua verdade Mas tem muito mais coisas do outro lado da porta Dentro do seu mundo, nunca vai compreender a realidade Viverá no raso daquele do que não conheceu lá fora Então meu caro amigo... Consegue entender isso? Mas esse é o medo de quem te controla Não é e nunca deveria ser o seu Então saia dessas amarras, se desenrola  Para ser cético não precisa ser ateu A fé é composta e muito maior do que meros dogmas e rédeas  Aprenda com a sua caminhada e não com quem inventa regras O verbo se fez carne e habitou entre nós Cheio de graça, curou a sua cegueira Sussurrou aos poucos que ouviam sua voz E disse "vai, que essa vida é passageira"

Desenhando diferente

As pessoas têm medo do que não podem ver Daquilo que elas não podem controlar O futuro é só o desejo que querem conceber Bem muito antes da hora dele chegar  E por isso nem todo pagode acaba bem Nem todo romance tem final feliz Por isso nem tudo que vai, um dia vem  Precisa deixar ir se não criou raiz  São folhas secas nos ventos de outono  São princesas nas janelas esperando  São reis e rainhas sem castelo ou trono São príncipes sem cavalo cavalgando Nem nos livros ou nos filmes de heróis Ninguém pode fazer por nós Nem num sonho lindo ou pesadelo feroz Ninguém pode cantar por nós  Somos a soma dos nossos traumas e curas De ciclos e reciclos, de muitas aventuras  Mas às vezes somos só a postura da bravura Doces e amargos, na mistura das leituras Muito mais do que se pode ver Sem limites para o que pode acontecer E eternas crianças ao absorver Desenhando diferente ao amadurecer  Para entender o seu erê, tem que voltar um pouco E deixar o medo de se...

Entre cafés e vinhos

Não deixe em mim marcas de posse Me deixe marcas que só nós dois veremos Não deixe em mim mágoas precoces Não me deixe só, nem a noite ou no sereno Você é minha playlist aleatória da madrugada  Deixo acontecer toda vez de um jeito diferente Você conduz e por isso compus esta serenata De janelas fechadas, apenas silhuetas ao feixe Te faço um blues, um folk ou um funk E o que quiser para apimentar esse romance Te acendo uma vela de mesa ou skank Aos olhos e sorrisos, quem fizer o maior lance Sem você tudo fica mais frio Quero a sua escuridão e a leitura em braile  É como um neo clichê do Rico Mais um single de amor para tocar no baile Nossa luz já é mais do que nescessário Nossa respiração, poesia em música perfeita Seu calor é minha prisão, o meu aquário Sabe me saciar e de sal a gosto, tu é a receita Te faço um blues, um folk ou um funk E o que quiser para apimentar esse romance Te acendo uma vela de mesa ou skank Aos olhos e sorrisos, quem fizer o maior lance Entre cafés e vi...

O Mar, o Maná e o Emanar

Todo recomeço tem um preço caro a pagar E às vezes é mais fácil apagar e sumir Não assumir a fraqueza e não se concertar Ou não se concentrar nos cacos, se ferir É no suspiro onde pode escutar seu próprio pranto Ondas na concha em ventos de um eterno outono Onde consegue o breve silêncio mental do banho E as vozes desaparecem quando visita o seu sono Pois os ruídos te impedem de se ouvir As inúmeras paisagens te impedem de se enxergar Os vários toques o impedem de te sentir Como vários caminhos, te impedem de se encontrar  Quando pensa em decidir também pensa em desistir E tenta ser mais forte que a própria fraqueza  Quando pensa que resistir é fortalecer o ato de existir E tenta agradecer mesmo em meio a tristeza Às vezes enxerga a formula de como querem nos cegar Ao ver as injustiças causadas pela falsa liberdade Falam em nome do deus do amor tentando nos machucar  São donos da razão abraçados na individualidade Numa casa sem paredes, sem janelas e sem nada Um homem que...

Lazaro

Com o tempo a gente perde a sensação O prazer de apreciar cada lição Cada ligação ou fração Cada sonho ou superação Peço luz aos que estão na escuridão  E aos que já estão na luz, peço proteção Pra que eles permaneçam No caminho da evolução  Tem lugares que queremos voltar Mas que é preciso se desapegar Mentiras de um passado não linear Escuso e oculto no imaginar A nostalgia é um lugar perigoso E a terra dos sonhos é um lugar misterioso Esconde o que é real e doloroso Ao descobrir que o amor pode ser rancoroso Subia no último andar para te esperar Ver as luzes da cidade ao te enfeitar  Chegava antes pr'um momento a sós Um silêncio, um instante, eu e sua voz Tivemos nosso canto, nunca fomos donos Onde nos abraçamos e dividimos sonhos Quantas vezes eu repeti que não sou perfeito Sou o que posso te dar, sorrisos e defeitos  Essa não é uma canção de amor Nunca foi, foi só um passado que infeccionou Eu tentei largar e ainda tento Onde traguei meus vícios e soltei aos ven...