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Terra Vermelha

Apagaram o sonho de ser pintor
Com um pincel cheio de tinta e sangue
Recebeu as honras de um vencedor
Mascaradas no triste sorriso da gangue

Faísca, fogo e fumaça
Rabisca o rosto e amaça
Fábrica de foice, disfarça
Se arrisca, resiste, sem raça

Está sem graça
Foge de toda ameaça
Alguém diz faça
E ele pula sem asas

Rua sem asfalto
Reféns do assalto
Apenas olha pro alto
Em preces a um bom ato

Mas ele só vê ratos
Então se encolhe novato
Aprendendo com esses fatos
Taxado de ser um bicho do mato

Mais um filho da estatística
Todo o dia perdendo a vida

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