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O Novo Velho Rabugento

Disse o mais novo velho rabugento
- Podem me chamar de butequeiro
Mas nunca, de traiçoeiro

Há igrejas do tamanho do meu banheiro
Que arrecadam muito mais dinheiro
Do que eu e você o dia inteiro

Coitado desse velho fuzileiro
Que limpou seu bolso de guerreiro
Em muita cerveja, cigarro e Velho Barreiro

E de tanto estudo, se tornou pedreiro
De tantas amantes, foi sempre solteiro
Usa pele de lobo, mas é cordeiro

Fico aqui, de frente a esse bueiro
Ascendo mais um, com algum isqueiro
Recitando versos aos forasteiros

Prefiro os velhos domingos no terreiro
Do que os domingos de futebol e roteiros
Vendo crianças correndo e escondendo seus brigadeiros

Mas nunca, já mais, vou a um convento ou mosteiro
Eu volto a falar em um Deus que não creio
Mas que já depositei muitos desejos

Eu já nem sei o que ou com quem estou falando aqui fora
Talvez eu até saiba onde eu estou agora
Mas sempre me perco a essas horas

Que nem sei quais são...

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