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Lá do Sertão

Em alguns preciosos segundos
Ao sentir as gotas nos braços, na palma da mão e na nuca
Tempo ocioso em outro mundo
Utópico, onde o cinza se enche de cor, no calor de uma blusa

O frio lá de fora que não me afeta
Contrastes sem esboços de toda essa vida paralela
Enquanto a garoa fina me acerta
Enquanto outras pessoas se prendem em novelas

Mexem-se os canais do chão
Controle remoto da natureza
E os pássaros fogem, se vão
Rapidamente na correnteza

Marés bravas de um vento intenso
A beleza que se torna um grande tornado
Ascende-se toda vela, todo incenso
Aos breves e leves que sempre tem levado

Somos partes da gravidade
Assim como fazemos parte de nossa mãe liberdade
Somos laços da integridade
Assim como estamos sempre em busca da verdade

Muitas vezes trancados nas ações e reações
De um sistema de felicidade instantânea
E em outras vezes, mergulhados nas ficções
Históricas, retoricas e contemporâneas

O frio lá de fora que não me afeta
Contrastes sem esboços de toda essa vida paralela
Enquanto a garoa fina me acerta
Enquanto outras pessoas se prendem em novelas

E sabe, eu já vi várias vezes esse filme
Onde a gente só pensa que vai ser livre

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