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Convicto (parte 2)

Sinto que cada adiamento é um dia perdido

E por mais que eu esteja decidido 

Tem dias que eu acordo cansado e retido

Derretido em meus próprios ácidos


Passado assíduo de meus pesadelos constantes

Que me fazem acordar em um mero instante

E por mais que mutável, se repete como antes

Por mais que diferente, o mesmo semblante


Que já é o bastante para me deixar circulando no fuso automático

Me silencia e me faz olhar para o nada, apático

Até paro e quando me percebo no vazio, dou um sorriso simpático

Não é uma religião, não quero me tornar fanático


E como se fosse prático esquecer o passado, eu oro

Preciso me tratar, me deixar, me libertar

E como se fosse didático, me aconselho, sento e choro

Converso com o espelho e deixo passar


Sou muitas vezes repetitivo a mim mesmo

Sigo na fé de um Deus que vem de dentro

(...)

Não deixar de sonhar, já é um começo!

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